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21 / jun 2017

UMA NOVA OUSADIA

Donald Trump impõe novas regras, mais restritivas, para viagens a Cuba (Foto: Evan Vucci/AP)

Quem acompanha as seguidas afrontas que Donald Trump faz àqueles que não leem na sua cartilha, certamente não se surpreendeu com as mudanças anunciadas na política de reaproximação com o governo cubano.

Como de outras vezes, o temerário presidente valeu-se de uma retórica agressiva, impondo a Raúl Castro a imediata realização de eleições livres, como se lhe fosse lícito ditar regras ao país vizinho.

Daí a proibição de viagens individuais à ilha, o veto a gastos em hotéis, restaurantes, bares e estabelecimentos controlados pelo serviço de inteligência cubano.

Doravante, não mais será permitida a ida individual àquela nação, sob o pretexto de que a política de Obama, além de enriquecer o regime castrista, aumentou a repressão interna aos visitantes e à população local.

A cordialidade que marcou os encontros entre Obama e Raúl Castro será substituída pela denúncia das violações aos direitos humanos, conduta que Donald Trump não adota em relação a outros países onde avaliza a tirania.

O embargo imposto nos últimos 50 anos não isolou os cubanos dos Estados Unidos, onde vivem dois milhões de imigrantes exercendo atividade rendosa, desfrutando das garantias que a Constituição, em sua maior parte, conferiu aos locais.

Tanto assim que, no mês passado, 55 senadores, formando um grupo bipartidário, firmaram documento defendendo a extinção das restrições ainda existentes nas viagens a Cuba.

Vale ressaltar que, afrouxadas as limitações anteriores, 4 milhões de pessoas visitaram a ilha, sendo mais de 600 mil dos EUA, o que importou em elevação de 34% em relação a 2015, favorecendo o setor hoteleiro dos dois lados do estreito da Flórida.

Não convém ao presidente Raúl Castro contrapor-se às exorbitâncias de Trump. A finalidade do transitório ocupante da Casa Branca é desmerecer a atuação de Barack Obama, que sustentou vantagens de convivência respeitosa que não importassem em renúncia ao princípio da autodeterminação.

Ao avaliar a inconveniência das restrições ora anunciadas, basta destacar o desprestígio atual de Donald Trump junto ao eleitorado republicano, gerando a insatisfação dos que o apoiaram numa eleição que contou com a colaboração soviética.

 

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