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25 / mar 2019

UMA NOVA ALIANÇA MILITAR

Durante o encontro do Grupo de Lima, em janeiro passado, o chanceler Ernesto Araújo adiantou que o presidente Jair Bolsonaro “não exclui a possibilidade da instalação de uma base americana no Brasil”. Segundo ele, esse tema também seria tratado na visita de Bolsonaro a Washington, realizada neste mês de março.

É sintomático o fato dessa informação ter sido transmitida dois dias após o presidente brasileiro haver recebido o secretário de Estado, Mike Pompeo, quando da posse de Bolsonaro, em audiência reservada no Palácio do Planalto.

Indagado quanto à possível inauguração da base militar em nosso território, Bolsonaro foi incisivo: “Nós temos que nos preocupar com nossa segurança, com a nossa soberania e eu tenho o povo americano como amigo”.

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, questionado quanto a essa providência, disse ignorar qualquer tratativa a respeito, o que lhe impediu de avaliar vantagens ou desvantagens que pudessem advir às Forças Armadas com essa iniciativa.

No entendimento de algumas patentes militares, um acordo desse gênero só se justifica quando há um risco de agressão externa, fora da capacidade de reação, que possa colocar em perigo a integridade da Nação.

Nos anos finais da Segunda Guerra, o Brasil negociou com os Estados Unidos a construção em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, de uma gigantesca base aérea para lançar ataques contra alvos no norte da África e sul da Europa. Essa operação durou quatro anos, tendo ocorrido uma tentativa de prorrogação do pacto por mais cinquenta anos.

Atualmente, os Estados Unidos mantêm cooperação militar com o Brasil e outros países sul-americanos, como Peru e Colômbia, onde estão sediadas duas bases aéreas. Devido à posição geográfica do nosso litoral, este desperta grande interesse ao governo Trump, pelo acesso facilitado a África e Atlântico Sul.

A mesma conveniência que concorreu para a presença da aviação aliada em Natal, gerou o acordo firmado entre Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt.

Assim, é de se admitir que essa aliança seja reavivada entre Trump e Bolsonaro, em consequência da política externa que une os dois governos.