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17 / jun 2019

UMA JORNADA INCONSEQUENTE

O Itamaraty está organizando a viagem do presidente Jair Bolsonaro a Hungria, Itália e Polônia, com a finalidade de estreitar as relações do Brasil com países onde imperam os mesmos propósitos defendidos por Olavo de Carvalho e o chanceler Ernesto Araújo.

Mesmo com as restrições impostas pelo Parlamento Europeu aos países-membros que violem a liberdade de expressão, Bolsonaro, inspirado numa viagem de seu filho Eduardo, pretende dar mão-forte às nações que rezam na sua mesma cartilha.

Na Itália, a direita xenófoba conta com a Liga Norte, cujo líder e vice-premiê, Matteo Salvini, ganhou notoriedade pela sua apologia ao fascismo.

Na Hungria, o governo adotou como adversários os imigrantes muçulmanos, além de uma política antissemita, com a demonização de George Soros, fatores tidos como ameaça à segurança pública e à civilização europeia.

Na Polônia, floresce o partido Lei e Justiça comandado por Lech Kaczyński, que compartilha com a francesa Marine Le Pen a missão de assegurar aos seus países uma administração voltada para os interesses do Estado – e não dos cidadãos.

Essas tendências concorrem para estigmatizar a ação dos gays, das feministas, dos movimentos LGBT, em sintonia com o olavo-bolsonarismo que medra nos círculos palacianos em Brasília.

Vale ressaltar que Polônia e Hungria são repúblicas unitárias, cujo direcionamento concentra-se no governo central. O Brasil, sendo uma Federação, jamais comportaria o mesmo tratamento que prevalece naquelas nações. Tanto Viktor Orbán, na Hungria, como o partido Lei e Justiça, na Polônia, desfrutam de maioria parlamentar, enquanto Bolsonaro só dispõe do PSL, que conquistou pouco mais de 10% na Câmara e menos de 5% no Senado.

De outra parte, convém lembrar que, enquanto Hungria e Polônia têm crescido com taxas médias superiores a 3%, no último quadriênio, o nosso país vem enfrentando grave crise de desemprego, cujo desfecho é imprevisível.

Assim, se é intenção de Bolsonaro trazer dos países incluídos em seu périplo experiências vitoriosas que possam ser adotadas pelo ministro Paulo Guedes, não há como utilizá-las, devido a manifesta diferença entre aqueles países com a situação que atravessamos, sem perspectivas de uma solução sequer em prazo razoável.

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