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29 / mar 2019

UMA DEFINIÇÃO DO RUMO A TOMAR

Nos últimos dias, tornou-se frequente a notícia de que o presidente Bolsonaro não estaria propenso a liderar a reforma da Previdência, como se não acreditasse no seu êxito. Isto contribuiu para o desinteresse de parlamentares de sua base, pois, se nem o responsável pelo projeto diligencia neste sentido, o resultado aguardado não pode ser promissor. Esta suspeita ganhou relevo a partir da declaração de Bolsonaro de que “no fundo, não gostaria de fazer a reforma da Previdência”.

Numa de suas últimas tiradas na viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro afirmou “que fora eleito pela vontade de Deus”. Ora, por mais eficazes que sejam os desígnios divinos, não se deve perder de vista a passagem evangélica: “Faça a sua parte, que Eu o ajudarei”. Aplicando-se esse princípio à emenda constitucional de tamanho significado para o Brasil, é indispensável que haja uma vontade efetiva – e não aparente – de convencer os congressistas da necessidade da reformulação da previdência.

A esta altura, nem mesmo a bancada evangélica, que foi sempre sua aliada, está satisfeita com a falta de diálogo do presidente, que procura livrar-se de seus parceiros por considerar que suas pretensões seriam fisiológicas, próprias da “velha política” que ele como candidato prometeu extinguir.

Com três meses de mandato, Bolsonaro atingiu o pior índice de insatisfação popular no trimestre inicial de sua gestão, o que não acontecia há 25 anos. Em janeiro, segundo o Ibope, esse percentual era de 45%, sendo que, no mês passado, atingiu a 34% de entrevistados que avaliaram o seu governo como “bom ou ótimo”.

Esta acentuada queda decorre da falta de articulação no Congresso, somada às manifestações desconexas de seus filhos contra os seus auxiliares diretos. A popularidade não se sustenta por si mesma, mas sim através de decisões inadiáveis, ainda que, à primeira vista, possam parecer temerárias.

Ninguém melhor que o povo para avaliar a conduta dos governantes. A eleição de Bolsonaro deveu-se, sobretudo, a aversão dos eleitores pelo que representava o lulismo desenfreado. A sua vitória foi mais consequente dessa insatisfação do que dos méritos do candidato vencedor. Foram os desatinos e desmandos dos acólitos de Lula que concorreram para a derrota de Haddad – e não a competência do atual presidente na gestão da coisa pública.

Para que Bolsonaro se fortaleça perante os seus apoiadores, torna-se necessária uma alteração de rumo imediata, que lhe proporcione retomar a confiança de seus eleitores, ao invés de continuar louvando Donald Trump e encantado com as profecias do místico Olavo de Carvalho.