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11 / dez 2018

UMA CRISE NÃO SOLUCIONADA

O Programa “Mais Médicos está ameaçado”, diz Drauzio Varella (Foto: Reprodução Youtube)

O conhecido médico Drauzio Varella, avaliando o programa Mais Médicos, imune a qualquer consideração ideológica ou de conveniência política, externou sua abalizada opinião quanto ao retorno imediato dos médicos cubanos, deixando vulneráveis cidades com baixo índice de desenvolvimento, que ficaram em completo desamparo.

Segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, com a saída dos médicos de seus postos de trabalho para ingressar no programa federal melhor remunerado, Minas Gerais tornou-se o estado mais afetado e já perdeu 420 profissionais. Com isto, muitas cidades deverão ficar por mais de 30 dias sem cobertura médica adequada, contando apenas com enfermeiros durante esse período.

A despeito do preenchimento de vagas em 90%, o desfalque ainda subsistirá, sendo inverídica a informação de que o problema ficou sanado a curto prazo.

O fato de o Brasil contar hoje com 500 mil médicos, este número aparentemente satisfatório é insuficiente no atendimento em todos os estados da Federação. A maioria, após a conclusão do curso, opta por São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais.

Os efeitos negativos da saída dos médicos estrangeiros repetem-se em maiores proporções no norte e nordeste do país, onde a maioria não se dispõe a atuar devido à falta de infraestrutura satisfatória para o seu desempenho.

Quanto à restrição feita por Jair Bolsonaro de que os médicos cubanos não contavam com qualificação suficiente para o exercício de sua atividade, Drauzio Varella repeliu esta versão. A seu ver, o curso de Medicina em Cuba prepara o estudante para os cuidados básicos da população e a saúde da família, acrescentando que “é o que falta aqui”, onde a tendência pela especialidade tornou-se a preocupação da maioria dos médicos recém-formados.

A propósito, vale anotar que, nos seis anos de vigência do programa, não há notícia de um caso notório sequer de negligência ou falta grave na assistência prestada pelos estrangeiros, nem de atuação junto aos clientes que importasse em persuasão das vantagens que o Brasil obteria com a implantação do regime castrista.

Ainda, nesta perspectiva, Varella chamou a atenção para a circunstância de que a maioria das faculdades de Medicina é particular, sendo o curso oferecido a alto preço, variando de 8 a 15 mil por mês, sendo acessível somente à classe média alta.

Também, se o governo de Cuba não concordou com as declarações de Bolsonaro quanto ao sistema adotado com a conivência de Dilma Rousseff, não poderia partir para uma solução abrupta, tornando-se necessário uma fase de entendimento, capaz de contornar a situação criada.

Nos últimos dias, correu a notícia de que os médicos cubanos egressos do Brasil passarão a atuar no México, seduzidos pelo novo governo esquerdista de López Obrador que, antes de ser empossado, já havia recuado da maioria das propostas que lhe asseguraram a vitória consagradora.

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