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31 / ago 2011

UM RECUO INESPERADO

A recente notícia transmitida pela presidente Dilma de que “a principal faxina na qual está interessada é a contra a pobreza”, frustrou aqueles que acreditavam na sua prometida intransigência contra a corrupção.

Por igual, é inaceitável a sua informação de que “a pauta de demissões não é adequada para um governo”, não estando disposta a assumi-la, pois “não se demite nem se faz escala de demissão, nem sequer demissão todos os dias”.

Após o escândalo do ex-ministro Palocci, não consta que a imprensa houvesse reclamado da mais alta mandatária um programa de demissões sucessivas. Mas, sim, que essas falcatruas, tão logo constatadas, fossem repelidas, pois acabariam respingando no seu governo.

Se a sua intenção é evitar sobressaltos aos seus ministros que correm o risco de cair, o seu recado foi não só inoportuno como incoerente. Se ela desistiu da chamada “faxina ética”, optando pela “faxina da pobreza”, ficou pior do que o seu antecessor. Aquele sempre fez da miséria o seu carro-chefe, mas não assumiu publicamente o compromisso de resguardar a vilania.

Vale lembrar que as acusações aos ministros Pedro Novais (na pasta do Turismo) e Mário Negromonte (no Ministério das Cidades), foram endossadas pelos seus próprios correligionários. O primeiro, antes de tomar posse, ficou conhecido pela festa que deu em um motel, utilizando verba do Congresso; o segundo, para garantir o posto que ocupa, alertou o PP para as consequências de um racha na bancada, advertindo que “em briga de família, irmão mata irmão e morre todo mundo”.

Diante desta possível tragédia doméstica, Dilma resolveu, então, manter Negromonte, para evitar rixas nas facções internas do partido de que necessita, pois integra a base aliada.

No seu discurso de posse, prometera um governo transparente, prestigiando os valores pessoais, zelando pela probidade, sem transigir com os malfeitores. Premida por uma coalizão partidária, que impede qualquer averiguação de atos desabonadores contra a administração pública, empreendeu, então, uma recuada trepidante, proclamando que não quer que seu governo seja marcado por sucessivas demissões.

É o caso de se indagar: o que seria mais importante, a indesejável “sucessão” de demissões ou a “má companhia” de políticos, que ela não desconhece, com quem conviveu governo passado?

O que se viu nos últimos meses foi uma série de chantagens, por parte de figurões da nossa política, que detêm informações privilegiadas sobre a vida partidária, procurando, a todo o custo, intimidar a própria presidente, caso não sejam atendidos em suas pretensões escabrosas.

É incompreensível, pois, que Dilma Rousseff renuncie à oportunidade de evitar que esse quadro obsceno subsista, confortando os seus parceiros com a promessa de que não estaria mais propensa a despedi-los, pois o seu compromisso é apenas com a pobreza, que pretende extirpar.

A ser verdade que a presidente é a “terceira mulher mais poderosa do mundo”, segundo a revista “Forbes”, então não há o que temer.  Na política é preciso ter vocação e coragem para enfrentar a turbulência da disputa pelo poder.

É o que está lhe faltando nesta fase, já difícil, de seu mandato.

4 comentários

  • Dr. Aristoteles, muito esclarecedora a leitura, a cada dia aprendo mais lendo seu blog. É muito triste ver nosso país mergulhado em tanta corrupção. E o aval (sim, entendo que é aval) da nossa Presidenta parece brincadeira.

    Arredando um pouquinho pra o lado, Alexandre Garcia comentou hoje pela manhã no Jornal Bom Dia Brasil a negativa do pedido de cassação de Jaqueline Roriz: “Jaqueline, eu posso ser você amanhã”. Foi o que 265 deputados pensaram quando votaram secretamente.

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