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28 / jun 2019

UM NOVO E SURPREENDENTE MANDATO

Ante as recentes derrotas que o Congresso lhe infligiu, o presidente Bolsonaro convenceu-se da necessidade de promover alterações em sua articulação política. A possibilidade de realizá-las não deve ser questionada em razão do curto espaço de tempo em que assumiu o comando do país. Está autorizado a despedir aqueles cuja atuação não rime com seu projeto político, da mesma forma em que os escolheu para os cargos que ocupam.

Essas mudanças não decorrem somente da incapacidade de alguns de seus auxiliares diretos no exercício das funções que ocupam. Outro detalhe, não menos importante, certamente concorreu para as destituições efetuadas, ainda que de forma disparatada e imprevista, como é de seu feitio.

Bolsonaro, no curso de sua campanha, comprometeu-se a não pleitear sua recondução à presidência. Agora, ao participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, não se conteve, admitindo: “Se tiver uma boa reforma política, posso até jogar fora a ideia da reeleição, mas se não tiver e o povo quiser, estamos aí para continuar a nossa candidatura”.

Novamente – tal como Jânio Quadros – enfatizou que a sua força promana do povo que o elegeu e não do Legislativo, como Poder responsável pela aprovação das reformas que esteja propenso a imprimir na administração federal.

Assim, para concretizar este anelo, deverá contar com um ministério e auxiliares fiéis, identificados com a sua vontade de permanecer no exercício de atividades que ainda não definiu. Razoável, pois, a conveniência de retirar de cena civis e militares, o quanto antes, que não contribuam para a sua permanência no governo. Mesmo que este anseio possa ser considerado prematuro.

A audácia tem sido o emblema da atual administração, cujo titular não passou de um parlamentar inexpressível, que não ostentava os dotes necessários para assumir a Presidência da República.

Compreensível, então, que agora pretenda adotar nova postura, inobstante sua ojeriza ao contraditório, com o mandonismo que encarna, bastando-lhe o prestígio obtido nas redes sociais. Com ele, o importante não é fazer, mas revelar a sua disposição em fazer, mesmo num futuro incerto, desde que não perca a fascinação que despertou em seus apoiadores.

O seu maior receio é que este encanto não seja arrefecido, tornando-se uma “rainha da Inglaterra”, ou seja, reinando sem governar. Ainda não se convenceu de que a sua vitória em 2018 decorreu de fatos coincidentes, inclusive de uma forte rejeição ao PT e não de seus próprios méritos. Já em 2022, não contará com os mesmos fatores, num possível enfrentamento com João Doria, Rodrigo Maia ou Ciro Gomes, que estão dispostos a “colocar o bloco na rua”, o quanto antes.

A sua agenda conservadora não lhe bastará na nova competição se não contar com a confiança dos investidores, conseguindo imprimir ao Brasil um crescimento econômico que reflita na geração de empregos e possa conter o processo inflacionário.

A Reforma da Previdência, por si só, não o credencia a um novo pleito. Impende mudar o seu tratamento com o Congresso, evitando pronunciamentos conflituosos que o enfraquecem perante a opinião pública.

A série de pesquisas realizadas desde a sua posse mostra que o presidente perdeu 18% da aprovação de janeiro até agora. Deste percentual, 10% provêm de eleitores que votaram em Bolsonaro apenas no segundo turno, temerosos com a volta do lulismo ao poder.

Como os parlamentares já derrubaram 21% dos vetos presidenciais, a sua gestão não terá vida fácil, de modo a pressagiar que “lá na frente todos votarão em mim”, conforme adiantou aos evangélicos, caso conte com uma “boa reforma política”.

Cabe-lhe compenetrar-se de que não é mais candidato e, sim, presidente de todos os brasileiros, afastando-se dos apoiadores mais aferrados, cujos propósitos não se coadunam com os interesses nacionais.

Antes de gabar-se da condição de candidato, deveria empenhar-se para que possa levar seu atual mandato ao final, através da concórdia e não gerando tempestades.

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