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04 / dez 2018

UM GAROTO COMPETENTE

Seria conveniente que o presidente eleito, antes de receber a faixa que lhe será transferida na solenidade de sua investidura, na condição de pai que deseja o bem dos filhos e do Brasil, reunisse seus filhos fazendo-lhes ponderações que estão a merecer.

Nessa tríade, sobreleva o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se tornou conhecido tanto pela votação obtida, como por sua extravagante proposta de cerrar as portas do Supremo Tribunal Federal, numa simples diligência policial.

Em recente viagem aos Estados Unidos, o travesso “garoto” – assim tratado pelo pai –, além de participar de um almoço na Câmara de Comércio, manteve encontro com Jared Kushner, judeu, genro e um dos principais conselheiros de Trump.

Numa entrevista, sugeriu que o governo brasileiro poderia congelar ativos cubanos e venezuelanos, para “dar um calote muito grande nesses ditadores”. Reportou-se, ainda, à possibilidade de ser adotada a Convenção de Palermo, ou seja, um tratado que combate o crime organizado transnacional, cometido pelos regimes autoritários.

Tomado do mesmo entusiasmo, participou da festa de aniversário de Steve Bannon (ex-assessor internacional de Trump), em sua residência, a quem elogiou como sendo um “ícone no combate ao marxismo”.

Nessas recepções, adiantou que a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, embora não conte com data definida, é providência certa, estando prevista a ida do futuro chanceler, Ernesto Araújo, a Israel em 2019, que, “com certeza fará bons negócios lá”.

Em razão de sua decantada capacidade de lidar com assuntos relevantes na área internacional, foi confirmada sua presença, em 4 de dezembro vindouro, na “Cúpula Conservadora das Américas”, que acontecerá em Nova Iguaçu.

Tudo faz crer que, naquele simpósio, não ofuscará a presença de Ernesto Araújo, para cuja indicação foi relevante o apoio dos filhos de Bolsonaro, inspirados nas ideias do filósofo e mentor direitista Olavo Carvalho.

Diante desses pronunciamentos, forçoso é reconhecer que, se já contamos, de fato, com um ministro de Relações Exteriores, é incompreensível a atuação paralela de outro, ainda que ambos estejam identificados com o pensamento do novo presidente.