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09 / set 2019

UM ENCONTRO FAMILIAR

A recente ida de Ernesto Araújo a Washington, acolitando o deputado federal Eduardo Bolsonaro para uma reunião com o presidente Donald Trump, além de inusitada quanto à sua realização, serviu para demonstrar a existência de uma “relação diferenciada” entre Estados Unidos e Brasil.

Foi esta a definição que o chanceler conferiu ao encontro, na tentativa de convencer a opinião pública mundial de que o relacionamento mantido entre os dois países supera qualquer outra ligação que Trump conserve com as grandes potências.

Jair Bolsonaro, desde que resolveu fazer de seu “garoto” embaixador do Brasil em Washington, empenhou-se em demonstrar que a indicação decorreu, sobretudo, da convivência existente entre o indicado e a família do mandatário estadunidense.

Da reunião participaram, entre outras personalidades, Jared Kushner, assessor e genro de Trump, que se tornou o seu porta-voz em tudo que diga respeito aos interesses recíprocos de Israel e Estados Unidos.

Em condições normais, seria razoável o questionamento acerca dos objetivos estratégicos desta visita. O recente encontro havido entre os dois presidentes jamais justificaria promover um novo acerto que importasse na discussão de temas não esclarecidos anteriormente.

Demais disso, a assessoria de um deputado federal a um diplomata de carreira não encontra explicação plausível, a não ser admitir implicitamente que o chanceler não estivesse à altura do cargo que exerce para tratar de assuntos que fossem de interesse de seu país.

Afastada, pois, a necessidade diplomática do colóquio realizado na Casa Branca, chega-se à conclusão de que bem outra era a sua finalidade.

Desde que Trump revelou-se entusiasta da nomeação de Eduardo Bolsonaro, antes mesmo da concessão do agrément, tudo leva a crer que no telefonema dado por Bolsonaro a Trump, no pico das queimadas da Amazônia e da crise surgida com o G7, o presidente brasileiro manifestara ao seu colega mais poderoso a necessidade de que esse desse uma “colher de chá” à candidatura pendente.

A finalidade da viagem seria demonstrar aos senadores brasileiros que Eduardo, além de presidente da Comissão de Relações Internacionais da Câmara de Deputados, tem “passe livre” para chegar a Donald Trump, o que interessaria ao Brasil.

Assim, sem cogitar dos predicados do pretendente e nem das dezenas de diplomatas concursados e aptos para o cargo de embaixador, ocupando a nossa mais expressiva representação externa, o que interessa a Bolsonaro é contemplar o filho com um presente que lhe foi prometido assim que completou a idade de 35 anos, que a Constituição exige para o desempenho dessa importante tarefa.    

Este foi o verdadeiro motivo da peregrinação cumprida, embora o apoio de Trump não seja suficiente para assegurar a aguardada vitória que está sendo montada no Senado Federal.

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