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03 / abr 2018

A REBELDIA DA JUVENTUDE

A manifestação dos estudantes secundaristas em Washington, um mês após o massacre havido num colégio da Flórida, foi marcada pelo fato de haverem se sentado de costas para a Casa Branca, demonstrando a sua aversão pelo homem mais poderoso do mundo.

A iniciativa que caberia ao Congresso, ao longo de tantos anos, está sendo promovida agora pela juventude, empunhando cartazes feitos a mão, contendo os slogans “Nunca mais”, “Já chega”, “Proteja as crianças, não as armas”, entre outros.

Embora a maioria não tenha hoje sequer idade para votar, quando houver novas eleições, a campanha levada a efeito contra a venda de armas será um fator expressivo no próximo pleito.

Kaylah Tengeya, 15, negra e bissexual, bradou: “Minha geração pode fazer a diferença. Nós somos as pessoas que vão votar em 2020, que serão os futuros presidentes e parlamentares”.

Na linha programática da mocidade rebelde sobrelevam essas medidas: a proibição da venda de fuzis de estilo militar, como o AR-15, utilizado na chacina da Flórida, que deverá ser de uso exclusivo das Forças Armadas; a elevação da idade mínima para a compra de armas, que passará de 18 para 21 anos; a implementação de medidas mais rigorosas na checagem de antecedentes dos compradores.

A proposta de Trump em armar os professores, como sendo providência capaz de evitar conflitos nas escolas, foi repelida pelos estudantes. Trata-se de uma solução que concorrerá para o aumento do risco a que os alunos estão expostos.

A cada dia que passa, o presidente revela maior inabilidade no trato deste tema. Em uma de suas manifestações, afirmou que deputados e senadores temem a NRA (Associação Nacional do Rifle) pelo lobby que exerce, havendo se comprometido a elevar a idade para a compra de armas, além de confiscar armamentos cujos adquirentes representassem risco para a sociedade.

Essas propostas não foram concretizadas, sem que haja qualquer perspectiva de se tornarem realidade, uma vez que a NRA financia a campanha dos candidatos, sem distinção de partidos. Daí a disposição dos jovens em levar adiante o movimento até suas últimas consequências.

Por maior que seja o poder que o presidente Trump concentra em suas mãos, o seu desprestígio tornou-se patente, inclusive por aqueles que o elegeram, surpreendendo a opinião pública mundial.