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10 / maio 2019

QUEM TEM PRESSA EM VENCER

(Foto: Adriano Machado/REUTERS)

Não tendo fluído sequer um semestre de sua investidura, dois governadores de importantes estados da Federação se arvoraram postulantes à sucessão de Jair Bolsonaro.

Quanto a João Doria, não surpreende o seu comportamento. Basta considerar o exíguo tempo em que esteve à frente da prefeitura paulistana e o seu incontido propósito de partir para um voo mais alto, compreendendo a arrojada proposta de saltar da administração do Vale do Anhangabaú para aboletar-se no Palácio do Planalto.

Na medida em que Doria se convenceu de que Jair Bolsonaro era imbatível, passando a ser considerado um “mito”, a sua ousada pretensão foi se arrefecendo, passando a emitir sucessivos pronunciamentos em prol do ex-capitão reformado, colaborando para que o nome do ex-governador Geraldo Alckmin despencasse.

Não menos arrojado vem se mostrando o atual governador fluminense, Wilson Witzel, postulante desconhecido até dois anos passados, cuja história consistiu somente na sua reputação de combater, sem tréguas, os assaltantes das favelas cariocas e sua impulsiva tarefa de eliminar os malfeitores sempre que surgissem situações de perigo iminente. Neste particular, identificou-se com o juiz federal Sérgio Moro ao longo das pregações eleitorais.

Assim que conhecida a sua vitória, Witzel (que é de origem judaica) viajou a Israel, ganhando notoriedade no combate obstinado ao crime organizado. De volta ao Brasil, não tardou a anunciar a sua pretensão, tal como fizera Bolsonaro, seguindo os mesmos passos de seu antecessor. A sua meta é aprimorar o combate ao crime, identificando-se aos métodos de seu ícone Olavo de Carvalho.

Em que pese o seu desconhecimento flagrante de administração pública, Witzel detém a condição de candidato intrépido, apto a valorizar as suas ambições pessoais. Pela forma com que se conduz no mesmo rumo de Doria, forçoso é reconhecer que não passam de dois ambiciosos, destituídos de comedimento e carentes de temperança. A meta de ambos é o poder, custe o que custar.

Há flagrante identidade entre Bolsonaro, Doria e Witzel: todos leram na mesma cartilha; todos estão empenhados em obter um resultado auspicioso.

Em relação à Doria e Witzel, deve ser aplicado o mesmo refrão: “Quem tem pressa come cru”.

É o risco a que estão expostos.

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