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08 / abr 2019

QUANDO NINGUÉM SE ENTENDE

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) protagonizou, no último mês, atritos que afetaram a relação do Congresso com o Executivo, cujas consequências tornam-se imprevisíveis.

A princípio, o episódio envolveu o ministro Sérgio Moro, autor do pacote anticrime, que, a seu ver, poderia tramitar no Legislativo juntamente com a reforma da Previdência.

Na semana passada, Moro cobrou de Rodrigo Maia celeridade no processamento de seu estudo, revelando negligência em relação à missão que, de comum acordo, ficara acertada. A resposta do presidente da Câmara implicou numa reprimenda ao ministro: “Eu sou o presidente da Câmara, ele é funcionário do presidente Bolsonaro. Então, o presidente é quem tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República”.

Num visível desmerecimento ao trabalho elaborado por Moro, Maia adiantou que a proposta encaminhada pelo ministro da Justiça não passa de uma cópia do projeto confeccionado pelo ministro Alexandre de Moraes, na época em que estava à frente daquela Pasta.

O fato trouxe dissabor a Sérgio Moro que, num curto espaço de tempo de sua atuação, defrontou com denúncia de uso de candidatos-laranja no PSL, além de retirar a criminalização do Caixa 2, devido à resistência de parlamentares, vindo a desfazer a nomeação de uma especialista em Segurança Pública para o Conselho Nacional de Política Criminal, premido por um dos filhos de Bolsonaro.

Agora, Maia virou sua metralhadora contra Bolsonaro, anunciando que deixaria a coordenação da reforma da Previdência após o presidente haver dito em Santiago que há em nosso país quem não queira “largar a velha política”, numa implícita condenação ao próprio Rodrigo Maia, a seu pai César Maia e a Moreira Franco, padrasto da esposa do presidente da Câmara.

Segundo Bolsonaro, mesmo não citando nomes, teria recebido o governo em uma crise “ética, moral e econômica”, qualificando o Brasil como o “campeão da corrupção”.

Na avaliação do cientista político Sérgio Abranches, a falta de coalizão com o Legislativo traz dificuldades para a governabilidade. Assim, “não faz sentido o presidente da Câmara ser articulador político de qualquer agenda do governo”, mesmo que seja do interesse dele. “Quem tem de fazer articulação é o presidente e suas lideranças, e elas não estão dando demonstração de ter capacidade para essa articulação (…). Então, acredito que essa reforma está no limbo, à deriva” (“O Estado de S. Paulo”, 24/3/19).

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