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23 / out 2017

QUAL SERÁ O NOVO RESULTADO?

A semana que findou foi marcada por fatos previsíveis, embora ricos em contradições. Mas, como conciliar o que era esperado com as posições incoerentes de seus protagonistas?

O retorno de Aécio Neves ao Senado foi recebido como medida de autopreservação ou de coesão da classe política na defesa de seus peculiares interesses. Mas, para condená-lo por “achismos”, sem o devido processo legal, haveria o risco de se resvalar pelo perigoso terreno da ditadura. O que seria do agrado de muitos.

Por conveniência própria, não compareceram à sessão dois dos mais ativos integrantes da oposição: o senador Jorge Viana (PT-AC) e a combativa Gleisi Hoffmann (PT-PR), investigados pela Lava Jato, ambos contando com foro privilegiado.

Foi surpreendente a presença do senador Ronaldo Caiado numa cadeira de rodas (vítima da queda de uma mula) e a falta do senador capixaba, Ricardo Ferraço, acérrimos opositores dos governos petistas.

O parlamentar goiano votou contra Aécio Neves, seu antigo parceiro no enfrentamento a Lindbergh Farias e suas alvoroçadas colegas no processo de impeachment de Dilma.

Segundo alguns cientistas políticos, a rejeição das medidas cautelares impostas pelo STF levou o Senado a instituir uma casta de imunidade, que, doravante, somente será atingida nas condições previstas no art. 53, §1º da CF.

Já na Câmara dos Deputados, com, pelo menos, 25% de congressistas sob investigação, a vitória de Temer na Comissão de Constituição e Justiça, mesmo sendo pedra cantada, não contou com apoio do PSDB. O partido ficou cindido após a indicação de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) para relator, à revelia de sua bancada.

Paira a expectativa quanto à votação da próxima quarta-feira. Já é visível o estranhamento existente entre os presidentes Temer e Rodrigo Maia. Vale lembrar que Maia é casado com uma enteada de Moreira Franco, codenunciado por Rodrigo Janot no processo em curso.

A recompensa eleitoral assegurada aos que garantiram a vitória de Temer na CNJ será suficiente para obter a sua absolvição, dessa vez no Plenário?

Como interpretar a ausência de bandeiras vermelhas na avenida Paulista e na Explanada dos Ministérios, durante as votações havidas no Senado e na Câmara?

Algo estranho está para acontecer. Resta esperar pelo desfecho.