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18 / mar 2019

PENSAR ANTES DE FALAR

Abraham Lincoln, republicano, 16º presidente dos Estados Unidos, responsável pela abolição da escravatura, assassinado no Teatro Ford, em Washington, reunia todos os predicados que faltam a Donald Trump. Segundo Lincoln, “é melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”.

A cada dia, o Brasil é surpreendido com desconexas manifestações de seu atual presidente. São pronunciamentos disparatados, como se fosse lícito ao detentor de um mandato popular dizer o que lhe vem à cabeça, sem pesar as consequências dessas atoardas.

A última de suas bravatas foi proferida em cerimônia no Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro, desbordando do bom senso que deva ter quem ocupa um cargo público. Admitir que “democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas assim o querem”, importa num atentado ao art. 1º, parágrafo único da Constituição Federal, ou seja, “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Conforme ponderou o professor Roberto Romano, da Unicamp, “se existe democracia, ou seja, regime em que o povo é soberano, não é suportável qualquer tutela que significa usurpação de soberania”.

Com o visível propósito de atenuar esta assertiva destemperada, o vice-presidente Hamilton Morão tentou contemporizar os efeitos deletérios do pregão ao afirmar que o seu autor “estaria sendo mal interpretado”. Na sua concepção, a referência feita por Bolsonaro à liberdade e à democracia “era direcionada a países como a Venezuela, que vive grave crise política e econômica”.

Ainda que louvável a prudência do general reformado em evitar que a balela assumisse proporções temerárias, a retórica do presidente se prestaria, quando muito, a viabilizar a sua eleição no curso da empolgante campanha de que participou.

Ocorre que, a esta altura, o antigo capitão já não é mais um aspirante ao Palácio do Planalto. Desde a sua posse, tornou-se o Supremo Comandante das Forças Armadas, responsável pela probidade na administração e cumprimento das leis e das decisões judiciais (art. 84, XIII e art. 85, V e VII da CF).

As suas palavras mal ordenadas, o pensamento autoritário e incontido, certamente lhe poderão render aplausos de seus seguidores, nem sempre capacitados a aquilatar os efeitos negativos de suas prédicas retumbantes.

Daí o cuidado de que o Presidente da República deverá munir-se para que possa exercer com energia e credibilidade a elevada função que o povo lhe delegou. A sua escolha decorreu da presunção de que o País seria governado por um timoneiro realmente capacitado a imprimir-lhe um rumo definido, correspondendo às esperanças acalentadas pelos seus eleitores.

Não foi o que aconteceu, pelo menos, até agora, nesses dois meses de renovadas apreensões.

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