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09 / set 2019

UM ENCONTRO FAMILIAR

A recente ida de Ernesto Araújo a Washington, acolitando o deputado federal Eduardo Bolsonaro para uma reunião com o presidente Donald Trump, além de inusitada quanto à sua realização, serviu para demonstrar a existência de uma “relação diferenciada” entre Estados Unidos e Brasil.

Foi esta a definição que o chanceler conferiu ao encontro, na tentativa de convencer a opinião pública mundial de que o relacionamento mantido entre os dois países supera qualquer outra ligação que Trump conserve com as grandes potências.

Jair Bolsonaro, desde que resolveu fazer de seu “garoto” embaixador do Brasil em Washington, empenhou-se em demonstrar que a indicação decorreu, sobretudo, da convivência existente entre o indicado e a família do mandatário estadunidense.

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06 / set 2019

OMISSÃO COMPROMETEDORA

Um obsceno projeto que amplia em 85% o valor do Fundo Eleitoral foi votado no Congresso. Mais uma vez, o dinheiro público foi desviado para suprir a campanha, agora incluindo candidatos que disputarão os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador, em mais de cinco mil municípios brasileiros.

A proposta, incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), importará num salto inescrupuloso, elevando de R$ 2 bilhões para R$ 3,7 bilhões a investida.

Para melhor compreensão do assalto perpetrado no Congresso – sem distinção de partidos e ideologias –, basta compará-lo aos 12% do que é destinado ao Bolsa Família no atendimento a 14 milhões de brasileiros. O programa Mais Médicos, que atinge mais de 60 milhões de pessoas, que era de R$ 1,33 bilhão até o final de junho passado, equivale a um terço do que foi arrebatado pelo Legislativo dos cofres públicos.

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05 / set 2019

UMA QUEDA COMPREENSÍVEL

Recente levantamento encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao Instituto MDA, apontou sensível queda no prestígio pessoal do presidente Jair Bolsonaro.

Embora o ministro Ricardo Salles entenda que a preservação do meio ambiente não deva corresponder à repercussão negativa das queimadas ocorridas na Amazônia, no exterior, 93,5% dos entrevistados consideram o fato como tema da maior relevância.

Já a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador nos Estados Unidos, foi reputada como inadequada por 72,7%, em contraposição a 21,8% dos que a consideram vantajosa para o nosso país.

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27 / ago 2019

A PROMESSA DESCUMPRIDA

Assim que Sérgio Moro foi convidado por Jair Bolsonaro para ser o ministro da Justiça, uma das condições que estabeleceu para aceitação do cargo foi que o Coaf lhe ficasse subordinado. Como o presidente, no início do mandato, carecia de um auxiliar dotado da autoridade moral de Moro, não hesitou em atendê-lo.

Criado em 1998, como órgão de inteligência para investigar operações suspeitas, o Coaf recebe informações de setores que, por força de Lei, são posteriormente encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Com o passar dos dias, aquele órgão deparou com movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual do Rio de Janeiro.

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26 / ago 2019

UMA INDICAÇÃO INSUSTENTÁVEL

Desde que foi anunciada a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador em Washington, surgiram medidas junto ao Judiciário destinadas a barrar a pretensão do Planalto.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) ingressou com ação na Justiça Federal, na Bahia, pleiteando, a “imediata inibição do ato” de indicação que violava “todos os mandamentos constitucionais referentes à impessoalidade e à moralidade”. O juiz do feito concedeu cinco dias ao presidente e ao seu filho para que se manifestassem sobre a ação proposta.

O Partido Cidadania pleiteou junto ao STF que fosse sustado o processo de indicação do novo embaixador, devido à sua “patente inexperiência e ausência de qualificação profissional”. O relator, ministro Ricardo Lewandowski, recusou a medida somente por entender que o partido autor não era parte legítima para postular, em nome próprio, a defesa de interesses “difusos” da população brasileira, sem entrar no mérito da questão.

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20 / ago 2019

A INTOLERÂNCIA PERMANENTE

Em recente pronunciamento, o presidente Jair Bolsonaro gabou-se de haver assinado medida provisória permitindo que as empresas de capital aberto publiquem seus balanços no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou no Diário Oficial, a custo zero, deixando de divulgá-los nos jornais, como vem ocorrendo.  

A justificativa sustentada para esta medida consiste no seu propósito em fazer com que “a imprensa venda a verdade para o povo brasileiro e não faça política partidária, como vêm fazendo alguns órgãos”.  Segundo o mandatário, a medida implantada é uma “retribuição” às ações da mídia que o “esculachava” e o chamava de “fascista”.

O discurso rancoroso, ao invés de conter uma proposta legítima, converteu-se em evidente ato de retaliação. O jornal “Valor Econômico”, pertencente ao Grupo Globo, devido à sua especialidade, foi o mais atingido pela iniciativa presidencial em mais de 40% de sua receita.

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19 / ago 2019

A TORTURA COMO MÉRITO

Quando do processo de impeachment instaurado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o então deputado Jair Bolsonaro assim se manifestou: “Em memória do coronel Ustra, o meu voto é sim”. Com isto, exaltou a figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão durante a ditadura militar.

Não faltaram oportunidades ao presidente eleito para que reafirmasse seu aplauso à tarefa constringente cumprida pelo oficial, à custa do sacrifício daqueles que foram alvo de suas atrocidades.

No último dia 8, o presidente recebeu no Palácio do Planalto, para um almoço de “regozijo”, a viúva do militar, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra. Na oportunidade, o anfitrião reverenciou a personalidade do coronel, por quem se declarou “apaixonado”, como o “herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda de hoje em dia quer”.

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09 / ago 2019

O NOVO E CONTROVERTIDO PREMIÊ BRITÂNICO

O jornalista e escritor Boris Johnson, 55 anos, é o mais novo primeiro-ministro britânico. Alexander Boris de Pfeffel Johnson nasceu em Nova York (19/6/64) e renunciou à cidadania norte-americana há três anos, para não pagar impostos nos Estados Unidos.

É neto do político turco Ali Kamel, que chegou exilado a Grã-Bretanha, onde trocou de nome sem maiores dificuldades. Johnson descende de uma avó francesa e de outra que era suíça. Teve como mãe uma pintora inglesa, aristocrata, liberal e de sangue judeu.

O novo mandatário fala fluentemente francês, italiano, espanhol, alemão, grego e até latim. Desde 2015, representava o distrito eleitoral de Uxbridge e South Ruislip na Câmara dos Comuns. Ao longo de sua trajetória política, jamais ocultou o desejo de tornar-se primeiro-ministro, para o que contribuiu a sua admiração por Winston Churchill, que, como ele, fora jornalista.

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06 / ago 2019

UMA PREMIAÇÃO INSENSATA

O presidente Jair Bolsonaro, antes de submeter o nome de seu filho Eduardo Bolsonaro à aprovação do Senado, formulou pedido diplomático ao governo dos Estados Unidos para que o “garoto” assuma a representação brasileira naquele país.

Conforme ponderou o ex-embaixador Rubens Ricupero, na prática, Eduardo já atua como “chanceler informal”, estando agora em condições de assumir o cargo diplomático, embora esse desempenho deva ser institucionalizado – e não personalizado.

As principais democracias do mundo primam-se em indicar diplomatas de carreira e experientes para as embaixadas de maior vulto.

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02 / ago 2019

INCITAÇÃO AO ÓDIO

Os recentes pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro, atribuindo à OAB responsabilidade pelo desfecho insatisfatório do processo criminal instaurado quando da agressão à faca de que foi vítima, confirma o seu despreparo para o exercício da Suprema Magistratura da Nação.

Se no início de seu mandato algumas de suas propostas estarrecedoras podiam ser toleradas, agora, decorridos sete meses de sua investidura, o que assistimos é um obstinado e diário ataque ao Estado de Direito, com que exalta os crimes cometidos ao longo da ditadura militar.

Em face da avalanche do obscurantismo que tende a tomar conta do nosso País, é irrelevante indagar se a fala presidencial decorre de sua maneira de ser ou se constitui um ardil destinado a angariar prestígio junto à população.   

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