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01 / out 2018

OS TRAPALHÕES DE VIRACOPOS

Em 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff, tomada de uma generosidade comprometedora, perdoou uma dívida de US$ 12 milhões da Guiné Equatorial, presidida por um ditador sanguinário há mais de 35 anos.

Decorridos dois anos, o país beneficiado doou R$ 10 milhões para a escola de samba Beija-Flor promover um enredo exaltando a figura de Teodoro Nguema Obiang Mangue, vice-presidente da nação e filho do tirano.

Na oportunidade, o homenageado veio prestigiar o evento acompanhado de um séquito de 40 pessoas, com quem ficara hospedado no Copacabana Palace.

No último dia 14, o turbulento Teodoro desembarcou no aeroporto de Viracopos com uma delegação em cujas malas foram apreendidos US$ 1,4 milhão e R$ 55 mil em dinheiro vivo, além de relógios de ouro e diamantes avaliados em US$ 15 milhões.

A “justificativa” da camarilha foi de que Teodoro vinha ao Brasil para uma consulta médica, devendo prosseguir para Singapura em missão oficial.

Diante da crise financeira suportada pela campanha de Fernando Haddad, a presença de um amigo de Lula no Brasil, portando tantos valores, despertou curiosidade quanto à sua finalidade. Haveria muita coincidência com a chegada desses recursos justamente numa época em que o PT se queixa de falta de verba para levar adiante a campanha do substituto de Lula.

Afastada a hipótese de colaboração espontânea ao lulismo, a Polícia Federal também poderá averiguar se a fortuna trazida numa aeronave do governo da Guiné Equatorial se prestaria a quitar, junto ao BNDES, os contratos de financiamento de obras que a Odebrecht realizou no país africano.

Devido às circunstâncias da ocorrência, cumpre às autoridades brasileiras levar adiante a sindicância iniciada em Campinas que reclama a identificação dos favorecidos. E que assim proceda antes da eleição de outubro, de modo a impedir que os favorecidos não venham a alegar que foram vítimas de perseguição política.