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10 / nov 2017

OS MÉTODOS SÃO OS MESMOS

Rodrigo Maia viaja com comitiva formada por nove deputados (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

Enquanto o País tomava conhecimento das graves denúncias feitas pelo ministro Torquato Jardim à polícia do Rio de Janeiro; enquanto a ministra Luislinda Valois reivindicava aumento de salário, reputando insuficiente o que recebe como desembargadora aposentada; enquanto Michel Temer se convalescia da recente cirurgia por que passou; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, valendo-se do prestígio excepcional adquirido na votação do impeachment, viajava ao Oriente Médio e Europa, levando consigo representantes da maioria dos partidos que têm assento na Câmara dos Deputados.

A excursão, iniciada tão logo encerrada a votação que livrou Michel Temer de responder a processo perante o STF, teve visível caráter compensatório, com a escolha, a dedo, dos integrantes da comitiva.

Não havia notícia de qualquer convite recebido dos governos de Israel e da autoridade nacional palestina. Mas, isto não impedia que o despudorado passeio fosse realizado em aeronave da FAB, com os convidados recebendo ajuda financeira e hospedando-se em hotéis de primeira categoria.

Os encontros agendados com o prefeito de Jerusalém e com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu não ocorreram. Foram substituídos por uma troca de cumprimentos com o presidente do Parlamento Yuli Edelstein e o ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan. A este, Rodrigo Maia presenteou com uma camisa do Botafogo, tal como Lula fazia em suas incursões pela África…

A visita a Belém, na Cisjordânia, também foi cancelada, sendo substituída pela ida a Ramalá. Ali os visitantes depositaram coroa de flores no túmulo de Yasser Arafat, sendo recebidos pelo presidente Mahmoud Abbas e seu primeiro-ministro Rami Hamdallah.

Cada acompanhante recebeu ajuda diária de US$ 550 (ou R$ 1.808), sendo hospedados no melhor hotel de Jerusalém, David Citadel, de cinco estrelas, que custa R$1.400 por apartamento.

Na véspera da partida, questionada sobre os motivos dessa excursão, a assessoria de Rodrigo Maia limitou-se a afirmar que o seu objetivo consistiria no fortalecimento da “diplomacia parlamentar e debater temas de interesse do Brasil, como geopolítica, comércio bilateral, cultura e turismo”.

Como a Itália é sempre um país atraente, o grupo adotou como pretexto uma visita à cidade de Pistoia, para uma “homenagem” aos brasileiros que ali foram sepultados e que tombaram na Segunda Guerra Mundial.

A volta ao Brasil deu-se no último domingo (5), após um fim de semana em Lisboa, para que os convidados pudessem satisfazer a sua agenda privada.

Assim, com o visível propósito de impedir eventual criação de Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o custo dessa extravagância, a viagem foi preparada em segredo, seguindo os mesmos moldes adotados por Michel Temer na recente visita feita a China, levando consigo parlamentares de diversas siglas partidárias.

Com procedimento desta ordem, os nossos políticos enlameiam-se no descrédito, reafirmando total desinteresse pelos princípios éticos, lançando mão de expedientes de que não se envergonham, desde que lhes assegurem vantagens pessoais.

Forçoso reconhecer que, também, nesta prática condenável, Rodrigo Maia e Michel Temer se igualam.