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03 / ago 2011

OS 80 ANOS MIKHAIL GORBACHEV

Em 2 de março do corrente ano, o último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, completou 80 anos, que foram comemorados no dia 30 do mesmo mês com grande festa no famoso Royal Albert Hall, em Londres.

O acontecimento reuniu expressivas figuras da arte e política de todo o mundo, como o cantor Paul Anka, o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, além do presidente de Israel Shimon Peres e o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.

A figura de Gorbachev alcançou a maior repercussão nos quatros cantos do mundo. Até hoje é censurado na Rússia por ter sido o responsável pelo fim da URSS, além de ser incriminado pela extinção do comunismo como o “arquiteto da Perestroika e da Glasnost (abertura)”.

O aniversário de Gorbachev, vencedor do prêmio Nobel da Paz, em 1990, concorreu para que proferisse expressiva avaliação de seu desempenho à frente do país que dirigiu numa época extremamente difícil. Daí o impacto causado pelo evento, cuja renda foi destinada ao Centro Infantil para tratamento da leucemia que a sua esposa Raissa, falecida vitima de câncer em 1999, instituíra em seu país de origem.

Segundo Gorbachev, “apesar da controvérsia que cerca o período em que dirigi uma enorme transição na União Soviética, acredito que consegui passar para milhões de russos e para outras pessoas no mundo o que entendo serem os ideais da liberdade”.

Numa fase de tamanha angústia como a atual, envolvendo países do mundo árabe e outras nações como a Coreia do Norte e Paquistão, a preocupação com a liberdade deve atravessar fronteiras, inspirada nos princípios por que Gorbachev se empenhou no exercício da poderosa União Soviética.

Naquela oportunidade, foram conferidos vários prêmios que receberam o nome do homenageado, como a Tim Berners-Lee, criador da Internet; Martin Cooper, empresário norte-americano, criador do telefone celular; o cineasta Steven Spielberg e o fundador do canal de notícias CNN, Ted Turner; além empresário de origem russa, Sergey Brin, um dos fundadores da gigante Google.

O Brasil foi igualmente distinguido na pessoa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que só não compareceu à Londres em razão do falecimento do vice-presidente José Alencar, ocorrido coincidentemente no mesmo dia da solenidade.

Os países amantes da democracia e da liberdade de expressão devem muito a Gorbachev pela sua contribuição ao restabelecimento dos princípios que regem os direitos humanos, impedindo que as práticas autoritárias continuem a medrar, colocando em risco a liberdade de pensamento, mediante expedientes que envergonham o mundo civilizado.

6 comentários

  • Você retratou muito bem a importância desse democrata social e a importância da liberdade de pensamento.É muito oportuno lembrar os 80 anos de idade, desse líder tão especial para o desenvolvimento da humanidade , não só pelo seu idealismo democrático, mas a comprovação que o ideal pode ser bem exercitado, mesmo em condições que parecem desfavoráveis . A liderança estatal como secretário no início da década de 80 , possibilitou não apenas uma nova roupagem à Rússia , mas a conscientização dos princípios e aplicabilidade da liberdade em qualquer espaço da União Soviética , quando ele abandonou a doutrina oficial Soberania Limitada ( que bloqueava correntes ideológicas contrária ao comunismo) . Além de outras questões de igual importância quanto a liberdade , basta lembrarmos da fundação da Cruz Verde em prol das ações positivas ao MEIO AMBIENTE (1993) , porque se nosso ambiente começar a se desintegrar , o que adiantará a liberdade!. E não parou mais fundou o Partido Social Democrata Russo (em 2001) … enquanto outros “ envergonham o mundo civilizados “.

    • Prezada Tania, senti-me honrado com a sua manifestação a respeito do que escrevi sobre Gorbachev. Considero-o uma figura expressiva da política mundial, embora não comungue do pensamento marxista, que continuo respeitando, inobstante o seu fracasso. Já estive na Rússia por quatro vezes, podendo lhe afirmar que Gorbachev não desfruta naquele país do prestígio que adquiriu no mundo ocidental. A homenagem que lhe foi prestada em Londres é suficiente para demonstrar o juízo que os países democráticos fazem de sua pessoa. Infelizmente, em nosso Brasil, muitos ainda não se dispuseram a fazer uma avaliação da contribuição do líder soviético ao restabelecimento da liberdade, ainda que nas nações asiáticas este credo não tenha o significado que obteve em outros países civilizados. Cordialmente,Aristoteles Atheniense.

  • Aristoteles: achei muito interessante você falar sore o nosso benfeitor Gorbachev, e bem como sempre acontece quando você abre a boca!
    Reitero que também não sou adepto do antigo e falido comunismo da URSS.
    Creio e participo, sim, de uma “Economia de Comunhão, na Liberdade” movimento inspirado pela filósofa italiana Chiara Lubich.
    Quero entretanto aproveitar dessa oportunidade para prestar uma homenagem póstuma a duas pessoas importantíssimas que ajudaram – e muito – ao senhor Borbachev a se fortalecer na sua ideia e exitosa missão da Perestroica e da Glasnost soviéticas: o Beato JOÃO PAULO II e o Cardeal LUCAS MOREIRA NEVES.
    O Beato João Paulo II determinou ao Cardeal, e este o obedeceu fraternalmente, que fosse a Moscou falar com o Sr. Gorbachev sobre esse assunto de enorme importância para toda a humanidade. E D. Lucas foi VÁRIAS VEZES falar com o famoso russo. Demais disso também nosso Cardeal mineiro, já no Brasil, ia mensalmente ao Vaticano ouvir a confissão do Papa e absolvê-lo de algum pecado que porventura tivesse!
    Posso afirmar com simplicidade a veracidade dessa informação que, infelizmente, a imprensa mundial despreza. Uma vez cumprimentei pessoalmente nosso saudoso papa lá no Vaticano e por incontáveis vezes comunguei sentimentos com o nosso saudoso amigo de “são João dos queijos”. Vê-se que os mineiros trabalham em silêncio. Um abraço, Otaviano.

    • Otaviano, gostei muito de sua manifestação, serviu-me para ilustrar parte do que já sabia a respeito do relacionamento de Gorbachev e João Paulo II. Fui informado de que o saudoso Dom Luciano, de quem guardo imensa saudade, também participou dos entendimentos havidos entre Moscou e o Vaticano. Abraço, Aristoteles Atheniense.

  • Ótimo texto, como bolsista da ABDI e pesquisadora dos BRICS é algo com o qual me identifico. Realmente brilhante. Thaynná Atheniense

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