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16 / set 2011

ONDE ESTÃO OS HOMENS DE BEM?

Fatos curiosos – e até pitorescos – ocorreram a partir da entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff ao programa “Fantástico”, quando negou que houvesse montado um governo de composição, acrescentando que a sua base política “é composta de homens de bem”.

É certo que ao emitir esse pronunciamento estava referindo-se, também, ao então ministro Pedro Novais, embora este, antes de sua posse, já revelasse o seu despreparo para a atividade pública. Basta lembrar que realizou uma festa particular num motel do Maranhão, custeada com recursos do Congresso, para onde retornará.

Dilma sempre soube que esse “homem de bem” era apadrinhado de outro, não menos de “bem”, que é o senador José Sarney, cuja influência no seu governo e nos anteriores jamais foi ignorada.

Agora, promoveu a sua substituição pelo deputado Gastão Vieira, que declarou o seu total desconhecimento sobre os assuntos da pasta que lhe será entregue. E, nas primeiras entrevistas concedidas, afirmou que o peso de Sarney “deve ter sido forte para sua escolha”.

A esta altura, paira uma justa curiosidade em relação ao novo ministro, devido às suas manifestações à época em que integrava a Comissão de Inquérito que investigou o mensalão.

Quando se cogitava da escolha de um novo presidente da Câmara, asseverou que: “infelizmente estamos diante de um caso de corrupção sem paralelo na história republicana brasileira. Devemos eleger um presidente que não provoque um impeachment do presidente Lula, mas esteja pronto para fazê-lo se as circunstâncias assim o determinarem” (“Folha” 2/9/2005).

Agora, como auxiliar direto da presidente Dilma Roussef, seria o caso de indagar-lhe se ainda mantém o que dissera há seis anos passados, em relação à Lula.

No Brasil, o presidente da República escolhe os seus auxiliares, respeitando a chamada “cota” dos partidos que o apoiaram.

Se o escolhido tem “ficha limpa” ou não; se reúne predicados para ocupar o cargo em que será investido, é de somenos importância. O requisito maior consiste em saber se a sua indicação partiu de algum político poderoso, que deva ser atendido, para que o presidente obtenha junto ao Congresso os frutos dessa nomeação.

No passado, Maquiavel afirmara que a corrupção era um problema cosmológico, concernente ao mundo, equiparando-a a uma “lei geral da natureza”, cujo alcance atinge a todos os setores da vida pública e privada.

Segundo Espinosa, ela se apresenta como o direito e o poder de fazer com que as leis sejam manipuladas e colocadas a serviço dos próprios interessados.

O povo brasileiro tende a tornar-se apático, isto é, indiferente, indolente, descrente, inerte, diante do emaranhado de escândalos que brotam em todos os poderes, sem que saiba até quando haverá de subsistir esta situação calamitosa.

Para as classes menos esclarecidas, que encontram no programa “Bolsa Família” a melhor solução para atender as suas necessidades primárias, é irrelevante o que venha acontecendo de imoral, embora possam sofrer indiretamente as consequências desta catástrofe ética.

A queda do quinto ministro do governo atual talvez não seja suficiente para mudar este estado de coisas. Outros “Novais” continuarão no exercício de seus cargos, “pintando e bordando”, valendo-se das benesses de seus padroeiros, sem que a presidente Dilma possa conter a voracidade política que tomou conta do país.

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