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07 / maio 2018

O QUE VIRÁ DEPOIS DO CASTRISMO

Miguel Díaz-Canel é primeiro líder da Ilha não pertencente à família Castro desde a revolução de 1959 (Foto: Getty Images)

Como único candidato apresentado para suceder Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel, de 58 anos, foi aprovado com louvor por 605 deputados presentes na Assembleia Nacional de Cuba. Trata-se do primeiro presidente a governar a Ilha após a revolução, cujo passado não permite antever se será um líder reformista ou se dará continuidade ao regime político atual.

Segundo o seu criador, Díaz-Canel não é “um novato nem é um nome improvisado”. Sua escolha foi arquitetada com a finalidade de garantir a sobrevivência do socialismo cubano. Raúl Castro já sinalizou que o novo presidente ficará à frente do Partido Comunista a partir de 2021.

Na juventude, Canel completou o serviço militar obrigatório, havendo se graduado em engenharia e se convertido em dirigente da União de Jovens Comunistas. Esteve na Nicarágua em missão oficial, destinada a ajudar a Revolução Sandinista.

Em 2009, foi guindado à condição de Ministro da Educação, tornando-se vice-presidente do Conselho de Estado em 2013.

Com a extinção da União Soviética, Canel manteve-se afinado com o ideário socialista, construindo uma imagem de modéstia e proximidade com o povo. Apesar desse comportamento que lhe granjeou simpatia, ganhou destaque como político da linha dura aos adversários do Partido Comunista, exercendo perseguição implacável ao mercado paralelo e ao comércio de produtos vendidos ilegalmente.

Com o seu ingresso no Comitê Central do partido, criou-se uma relação de mestre e discípulo entre o presidente Raúl Castro e seu herdeiro.

Assim, mesmo não se conhecendo o seu pensamento em relação aos assuntos mais importantes de Cuba, as suas atuações anteriores infundem a certeza de que nunca se desviará da linha do partido.

Em seus pronunciamentos, glorificou Fidel e Raúl Castro, tornando-se crítico contumaz dos “subversivos que trabalham contra o progresso socialista”.

Uma das poucas tendências que Diaz-Canel deixou transparecer foi a sua aversão aos EUA, a quem acusa de invasor, que promoveu o embargo com finalidade meramente restritiva. Esta reflexão leva a admitir que, se a aproximação entre americanos e cubanos com a chegada de Donald Trump foi enterrada, agora com Díaz-Canel não terá a menor chance de prosperar.

Devido ao seu perfil discreto e silencioso, é uma incógnita saber, mesmo para os mais experientes em política cubana, se haverá apenas uma mudança de pessoa no comando do país e se a estrutura política do partido comunista será a mesma de hoje.

Só o futuro poderá responder.