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26 / jun 2017

O GIGANTE HELMUT KOHL

Os sobressaltos que Helmut Kohl enfrentou em sua trajetória política, as desavenças que teve com os filhos, somados a outras discórdias domésticas, não lhe retirarão o mérito que a Alemanha lhe deve pela tarefa cumprida na reunificação do país.

Mesmo havendo dissentido de Angela Merkel, sua protegida política, esta, ao tomar conhecimento da perda de seu líder, reconheceu que Kohl “permanecerá em nossa memória como um grande europeu, o chanceler da união do país”.

Helmut Kohl encarou a Europa como sendo uma tarefa alemã. Tendo sido acusado por Merkel de haver recebido dinheiro para financiar o partido, mesmo agastado com o episódio, negou-se a delatar a origem desse financiamento.

Para a dissidência com a atual chanceler concorreu a orientação imposta pela antiga correligionária a Portugal, Grécia e Irlanda, nas medidas financeiras adotadas, que Kohl considerou severas.

Kohl estava em Varsóvia no dia em que ruiu o muro de Berlim, voando imediatamente à capital alemã. Reconhecidamente conservador, era alvo de críticas do seu próprio partido, seja por seu porte rústico e provinciano, como pelo sotaque do interior.

Naquela época, a distância entre as duas alemanhas era colossal: de um lado, um país rico, materialista, que aderira ao pacifismo e tinha como símbolo nacional o marco. De outro, um país decadente, cinzento, em que todos desconfiavam de todos, sem a menor perspectiva de recuperação.

Mas, Helmut Kohl tinha a noção de que a partir da derrubada do muro não seria mais possível manter o leste separado. Desde então, tornou-se amigo de François Mitterrand, inaugurando com ele uma relação que durou até a morte do presidente francês.

No seu entendimento, também, a reconciliação com a Polônia tornou-se um imperativo, o mesmo ocorrendo com a debilitada União Soviética, instituindo, assim, uma política marcada pela prudência com as nações vizinhas.

Desde então, granjeou a simpatia dos outros governantes, convencendo Mikhail Gorbachev e George H. Bush a somarem forças de modo que a República Democrática da Alemanha (rda) se unisse, em 1990, à República Federal da Alemanha (RFA).

Estimulou a criação da União Econômica Monetária que originou o euro, instituindo a base para a formação da União Europeia, incluindo os países do Leste após o fim da guerra fria. Tomado deste propósito, a ocupação militar da Alemanha, imposta por Washington, Moscou, Paris e Londres, chegou ao final enquanto o seu país assumia posição de destaque no cenário internacional.

Em 2008, sofreu traumatismo craniano consequente de uma queda. Algum tempo antes, recusou-se a participar da cerimônia evocativa do desembarque aliado na Normandia, sustentando que não estava em condições de comemorar uma derrota alemã.

Foi o homem certo no momento certo, tendo vivido os últimos anos afastado da cena política, quando o seu lugar na história já estava traçado. Participou, aos 15 anos, como soldado, do final da Segunda Guerra Mundial.

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