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22 / set 2017

O CRIME DE RAÚL SENDIC

Raúl Sendic renunciou depois de uma decisão do Tribunal de Conduta Política de seu partido (Foto: LaRed21)

No início deste mês, o vice-presidente do Uruguai, Raul Sendic, pressionado pela opinião pública, renunciou ao cargo por haver se envolvido no uso escandaloso de cartões corporativos oficiais.

Para que fosse levado a essa atitude não foi necessária a instalação de uma CPI, nem um “rigoroso inquérito”, como acontece no Brasil, em que o desfecho varia conforme o poder político do indiciado.

Também não houve de parte do procurador-geral da República qualquer iniciativa bombástica destinada a averiguar se Sendic agira só ou se contou com outros acólitos na prática da infração que o levou a deixar o poder.

A sua decisão resultou somente do Tribunal de Conduta Política de seu partido, que, ao invés de acobertá-lo, concluiu que “o quadro não deixa dúvidas de um modo de atuar inaceitável no uso do dinheiro público”.

A trapaça ocorreu entre 2010 e 2013, quando Sendic, nomeado pelo ex-presidente Pepe Mujica, tornou-se diretor da estatal Ancap. O reconhecimento de sua culpa partiu da cúpula da Frente Ampla, após uma denúncia de jornalistas.

Qual teria sido o seu pecado? Restou provado que o vice-presidente fizera gastos supérfluos na aquisição de material esportivo, produtos eletrônicos, tanto no seu país, como em viagens ao exterior.

Sendic é filho do líder histórico Raúl Sendic Antonaccio, criador do Movimento Tupamaros, que teve repercussão internacional com o filme de Costa Gavras, “Estado de Sítio”, retratando a luta armada contra a ditadura militar do Uruguai.

Em 2016, foi questionada a sua graduação acadêmica, pois se dizia licenciado em Genética Humana em Havana, embora esta especialidade jamais tenha existido na Universidade local, o que serviu para desmoralizá-lo.

Com a renúncia de Rául Sendic, a vice-presidência do Uruguai será ocupada por Lucia Topolansky, esposa de Mujica, que foi a senadora mais votada após o seu marido. Mujica ficou inabilitado a assumir o cargo porque no país não há reeleição.

Em entrevista concedida ao jornal “El Observador”, Mujica, após referir-se às compras de peças íntimas feitas por Sendic, mediante cartão de crédito, comparou essa denúncia com recente fato ocorrido no Brasil envolvendo o ex-ministro Geddel Vieira Lima: “Enquanto no Brasil aparecem malas de dinheiro, no Uruguai estamos discutindo cuecas…”.

Faltou ao ex-presidente do país vizinho lembrar que aqui as cuecas são usadas, também, para guardar dinheiro, como aconteceu com o deputado do PT, José Guimarães, sem gerar qualquer efeito político.

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