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08 / mar 2019

O COMBATIVO JUAN GUAIDÓ

Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela (Foto: Sergio Lima/AFP)

Atendendo à conclamação da multidão, “preste juramento, preste juramento, preste juramento”, Juan Guaidó, 35, ergueu a mão e declarou-se presidente da República, ganhando uma estrondosa ovação. A princípio, Guaidó hesitou em proclamar-se presidente, alegando que tanto precisava do apoio popular, quanto das Forças Armadas.

Com os crescentes e sucessivos protestos, especialmente dos mais pobres, que eram a base do governo chavista, convenceu-se de que contava com respaldo suficiente para legitimar-se como o novo condutor da nação.

O político chamado pelos militares, sarcasticamente, de “garotinho”, em pouco tempo obteve o reconhecimento internacional, a começar de Donald Trump, contando hoje com o apoio de mais de 50 países, com destaque para os que compõem a União Europeia.

A ascensão de Guaidó deu-se em 5 de janeiro, em consequência de um acordo entre os partidos da oposição, até então, divididos, quando foi escolhido líder da Assembleia Nacional. Desde que a oposição obteve a maioria na Assembleia, em 2016, Maduro esforçou-se em neutralizá-la, substituindo-a por um Parlamento de fachada, submetido servilmente às suas ordens.

Em que pese sua condição de novato na política, Guaidó postou-se com maestria, evitando disputas internas e revitalizando a esperança do povo na queda do ditador. Segundo a Constituição venezuelana, se o cargo de presidente estiver vago – como sustentam os adversários do regime –, compete ao líder da Assembleia Nacional assumir o governo.

Juan Guaidó, oriundo de família de classe média, do estado costeiro de Vargas, difere da elite da velha geração de líderes contrários a Chávez. Ingressou no Partido Voluntad Popular em 2009, empenhando-se em descobrir o destino dos milhões surrupiados tanto no governo de Chávez, como na administração de Maduro.

A esta altura, líderes militares ainda controlam as áreas importantes da economia, como a de extração de petróleo e a disputada distribuição de alimentos.

Enquanto Maduro conseguir manter-se no poder, o país contará com dois presidentes: um apoiado pela vontade soberana do povo e outro mantido, à custa de alto preço, pelas armas.

Apesar desse comando duplo e inusitado, certo é que, atualmente, a fome e a raiva conseguiram superar o medo imposto pelo regime.

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