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02 / jan 2019

O BRASIL E A CRISE VENEZUELANA

Informação transmitida pela ONU revela que o número de venezuelanos egressos da crise econômica e humanitária que assola o país atingirá a 5,3 milhões até o fim de 2019, tornando-se o maior êxodo na história latino-americana.

Cerca de 5 mil venezuelanos deixam o país diariamente, sendo a Colômbia o país mais afetado, onde quase 1 milhão entrará em 2019. Neste mesmo ano, 190 mil refugiados chegarão ao Brasil, devido à sua posição estratégica, o que estimula a evasão.

Segundo o representante da ONU, Eduardo Stein, para a crise da Venezuela 1/3 dos que chegam ao nosso país já não mais encontram abrigos, alimentando-se apenas uma vez por dia. Daí a necessidade de uma ajuda da ONU prevista em US$ 56 milhões, além de doações internacionais para atender ao fluxo de imigrantes que tende a aumentar.

O governo de Michel Temer enviou o chanceler Aloysio Nunes Ferreira ao Marrocos, onde o Brasil subscreveu o pacto global da Migração da ONU, cuja finalidade era atender às situações calamitosas dos países desesperados.

A tranquilidade que reina na Venezuela, atualmente, é forçada pela resignação do povo mesclada com a pobreza. Faltam peças para reposição nos veículos que passam a ser usados com parcimônia. Devido à falta de farinha de trigo, filas grandes de consumidores postam-se à frente das padarias, nos horários previamente conhecidos em que sai uma fornada de pão. O preço do café chega a ser aumentado duas vezes por dia.

Os jardins de Caracas, que antes eram atrativos políticos, estão invadidos de mato com o lixo se acumulando pelas ruas e revirado por gente sem rumo, buscando resto de comida.

No rio Guaire, altamente poluído, as pessoas tomam banho e as mulheres lavam roupas, pois, em suas casas não há água suficiente para satisfazer essas necessidades primárias.

O presidente Nicolás Maduro instituiu uma nova moeda denominada “Bolívar Soberano”, eliminando zeros no padrão anterior. A medida não gerou resultados práticos, apesar do seu nome pomposo. A esta altura, há previsão de inflação da ordem de 1.000.000% para o final de 2018.

Criou-se uma situação contraditória: enquanto o futuro presidente Bolsonaro declarou que o Brasil não impedirá o ingresso de venezuelanos, já o futuro chanceler, Ernesto Araújo, adiantou que o Brasil não respeitará o tratado que o seu antecessor subscreveu, devendo excluir a adesão conferida àquele texto.

Apesar desse quadro dantesco, no próximo de 10 de janeiro, Nicolás Maduro prestará juramento para um próximo “período presidencial”, permanecendo no poder até 2025.

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