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09 / dez 2019

O BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Em 2022, o Brasil comemorará o bicentenário de sua Independência. Até agora não consta a existência de qualquer iniciativa do Executivo, através do Ministério de Turismo e do Congresso Nacional, que importasse em conferir ao dia 7 de setembro de 2022 a importância que mereça ter.

Em 1922, no governo de Epitácio Pessoa, o nosso país enfrentou inúmeras turbulências. O movimento dos tenentes, que passou à história como sendo “Os dezoito do Forte de Copacabana”, não impediu que a efeméride fosse marcada por acontecimentos de repercussão interna e externa.

A Semana de Arte Moderna, também chamada de “Semana de 22”, ocorreu no mês de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo. Tratava-se de um evento que reuniu diversos tipos de arte, tornando-se o início do movimento modernista e referência cultural do século XX. A elite paulista era influenciada por padrões estéticos europeus que entendiam a arte como algo acadêmico e formal.

O movimento buscava uma representação genuinamente brasileira, combatendo os anglicismos e francesismos, provenientes da Inglaterra e da França.

A iniciativa representava uma nova visão da arte, havendo quem admita que tanto o Tropicalismo como a Bossa Nova são originários desse empreendimento. A este aderiram Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manoel Bandeira, Di Cavalcante, Tarsila do Amaral, Heitor Villa-Lobos e outros. A promoção sofreu críticas de Monteiro Lobato, que, no mesmo ano, publicou “Fábula” e “Marquês de Rabicó”, destinados às crianças.

Não menos expressiva foi a Exposição Internacional do Centenário da Independência, que reuniu 14 países, com 6.300 expositores dos três continentes. A exposição foi anunciada com seis anos de antecedência e pregava a necessidade de se festejar este marco glorioso, assegurando-lhe maior relevo.

Coube ao senador Paulo de Frontin a iniciativa de propor ao Congresso Nacional a emissão de cem mil contos para financiar o evento. O acontecimento compreendia as principais atividades brasileiras, como lavoura, pecuária, pesca, indústria fabril e indústria extrativa.

As obras de preparação da área mobilizaram a população carioca, que a criticou em razão da demolição do Morro do Castelo, berço da cidade, para dar lugar à construção de pavilhões nacionais e estrangeiros. A primeira transmissão de rádio no Brasil ocorreu durante a inauguração da exposição, com o discurso do presidente Epitácio Pessoa.

Após a inauguração, a exposição ficou aberta aos visitantes, chegando a receber 14 mil interessados num só dia.

O Brasil vivia uma fase de experiências políticas, com o advento de novas ideologias. O socialismo pregava a emancipação das classes, enquanto o anarquismo sustentava a defesa da individualidade. Esses credos concorreram para a criação do Partido Comunista que subsistiu até 1945, no início do governo Dutra, inobstante a perseguição imposta por Getúlio Vargas durante o Estado Novo.

Em 1922, os portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral empreenderam a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, sendo efusivamente recebidos em sua chegada ao Brasil.

Cabe uma indagação: se o governo Bolsonaro está realmente empenhado em valorizar o que é nosso, por que não instituir um programa de comemoração do bicentenário?

Mas não será mantendo Álvaro Antônio no Ministério do Turismo, que atuou no esquema das candidaturas laranjas, já denunciado pelo MP por falsidade ideológica, apropriação indébita e associação criminosa, que uma promoção deste porte será exitosa.

Se convém ao atual governo ampliar o nosso comércio com outras nações, promovendo o afluxo de turistas, deverá remodelar a nossa caótica infraestrutura urbana.

O presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, em entrevista à “Folha de S. Paulo” (1/11), comparou a verba do Brasil (US$ 8 milhões) para investir em turismo com os recursos de outros países: Argentina (US$ 90 milhões); Colômbia (US$ 120 milhões) e  México (US$ 400 milhões), recebendo 39 milhões de turistas/ano, enquanto o Brasil recebe apenas 6 milhões.

Estamos a menos de três anos do bicentenário. Cabe ao presidente Bolsonaro empenhar-se na redução dos índices de violência, combatendo sem tréguas os assaltos e mortes de que são vítimas os turistas estrangeiros, tendo como aliados os governos estaduais.            

O tema relativo à segurança deve ser prioritário em relação a outras medidas que venham a ser implementadas. Sem que isso ocorra, qualquer outra iniciativa estará fadada a frustração.

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