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12 / set 2018

NEM TODOS SÃO IGUAIS

A recente condenação de José Maria Marin, nos Estados Unidos, somente comporta piedade se levarmos em conta a longevidade do infrator. Certo, portanto, que já era um septuagenário quando se locupletou à custa do futebol, ao lado de outros comparsas já apenados.

Na condição de vice-governador (1979/1982) e, mais tarde, governador (1982/1983), desfrutou da companhia de Paulo Maluf (agora cassado), aprimorando, desde então, os métodos que concorreram para o seu encarceramento. Ambos primaram pela improbidade e, coincidentemente, conheceram o desfecho dessa conduta aviltante no mesmo dia.

Maluf usou de todos os artifícios legais para livrar-se do alcance da lei durante 35 anos, embora contasse, no final dessa ignominiosa trajetória, com alguns privilégios de parte do futuro presidente do STF. Enquanto isto, uma juíza da Corte Federal de Brooklyn, em Nova York, após cuidadoso exame dos fatos que incriminaram Marin, não hesitou em condená-lo.

Bem diverso foi o comportamento da maioria da Segunda Turma do STF quanto ao recalcitrante José Dirceu. Este, após ter sido alvo de pena superior a 30 anos de prisão, foi colocado em liberdade, atendendo aos mesmos clamores da falange que se empenha na libertação de Lula para que possa concorrer na eleição presidencial de outubro vindouro.

As trapaças de José Maria Marin receberam da Justiça norte-americana tratamento condizente com a sua gravidade, por mais comovente que tenha sido o seu inconformismo quando da decisão proferida, livre de influências externas.

O fato de residir na 5ª Avenida, no mesmo prédio onde Donald Trump morava, não concorreu em nada para que recebesse um tratamento em desacordo com a lei aplicada com absoluta segurança.

No entanto, foi diferente a atenção dispensada a José Dirceu que, após ser condenado no mensalão, incorreu em outros crimes, dizendo-se irresignado com o juiz Sérgio Moro, seguindo a mesma trilha de Lula, fazendo-se passar por um perseguido político.

Enquanto José Maria Marin, pela sua idade avançada, talvez não retorne mais ao seu país, José Dirceu continuará empunhando o brasão de “guerreiro do povo brasileiro”.

Não será estranhável que ainda pretenda chegar ao Palácio do Planalto.