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23 / nov 2011

MENTIR PARA FICAR

O Brasil conviveu, nas últimas semanas, com fatos graves que colocam em risco a seriedade do Governo, que se conserva bonançoso, como se tudo não passasse de mera presunção.

A presidente Dilma Rousseff, em seu discurso de posse, enfatizou importante aspecto que nos trouxe fundadas esperanças na lisura da máquina administrativa: iria recrutar para as funções públicas somente pessoas capacitadas a exercer as atividades que lhes seriam delegadas, que procederiam de forma transparente para que o povo pudesse acompanhar o seu desempenho.

Lamentavelmente não foi o que aconteceu. Em menos de um ano de governo, deu-se o afastamento compulsório de seis ministros de Estado, cuja argúcia já era conhecida antes mesmo de se investirem nas Pastas com que foram contemplados.

O escândalo que envolveu o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é hoje assunto frequente nas esquinas, nos cafés, nas escolas, enfim, em qualquer lugar onde haja um brasileiro aguardando pela sua queda e já saturado de suas lorotas.

Goethe, a seu tempo, afirmara que todas as leis e normas morais podem ser reduzidas a uma: a verdade. Assim, onde a verdade estiver comprometida, nenhuma outra lei será suficiente para restabelecer a confiança, por maior que seja o esforço ou o artifício utilizado para transmitir uma versão diferente dos fatos realmente acontecidos.

Carlos Lupi, após ocupar posições de destaque no governo do Rio de Janeiro e de propalar uma política voltada para educação e trabalho, é uma autêntica caricatura do que se poderia considerar um homem público. Não se peja de criar as mais fantasiosas situações, a fim de manter-se à frente de um ministério onde se encontra desde o governo Lula, que sempre o abençoou.

A esta altura, nem mesmo os seus correligionários lhe devotam o menor respeito. Contam as horas que faltam para a sua derrocada, embora se considere um homem forte, que não cairá facilmente, já tendo, inclusive, externado o seu amor por aquela que teve a infelicidade de mantê-lo no posto onde se encontra.

A cada dia tem uma “história” diferente para contar. E, de algum tempo para cá, passou a justificar os seus tropeços, aquilo que dissera, afirmando, no Congresso, que tem a “ideia fraca”, esquecendo-se com frequência hoje o que afirmara ontem.

No Brasil, a indicação dos ministros é feita pelos partidos e não pela livre escolha do Executivo. Assim, quando um ministro é apeado do poder, depois de muita resistência, será sucedido por outro oriundo da mesma falange a que pertencia. O sucessor não pretende lavar a “roupa suja” do sucedido, pois poderá correr o risco de, no futuro, passar pelo mesmo vexame.

O Executivo, por sua vez, faz “vista grossa” do que vem ocorrendo, inobstante as denúncias frequentes dos escândalos detonados pela imprensa, que é censurada como interessada em ver o “circo pegar fogo”.

A crise brasileira é, sobretudo, a crise da mentira, o que nos faz lembrar a advertência do filósofo espanhol Jaime Balme de que “o homem se engana primeiro antes de enganar os outros”.

O mentiroso não se conforma em ser uma pessoa qualquer. Prefere sempre ser uma personalidade de primeira grandeza, daquelas que os outros admiram e invejam. Assim, falseando aquilo que faz e, tomado da satisfação mordaz de que ninguém o conterá, podendo criar novas formas de ação que o tornarão ainda mais poderoso.

A corrupção é prática comum na vida cotidiana, sem que se possa discriminar ou identificar qual o cidadão que estaria mais apto a aperfeiçoá-la. Ela está no fato de que o depositário da confiança abusa, infringe ou viola as regras do jogo, faltando à confiança daquele que o escolheu.

A despeito de tudo isso, ainda continua das benesses do cargo, não podendo ser alijado antes do tempo, isto é, até que ocorra a decantada reforma ministerial prevista para 2012…

 

 

2 comentários

  • Creio que a governabilidade se faz, sim, pela verdade que liberta ainda que doa.Existe um temor incrível de que alijando-se um, seus nexos ditos “rabos” entrelaçados arrastem muitos outros como num dominó de quedas. Ora, que se dê como que uma “anistia” a todos os irresponsáveis e a cada um simplesmente exonerando-os e que se lhes impeça lidar com a coisa pública – o que será mais eficaz para a nação – e ainda terão meios econômicos de viver a sua e a geração de filhos e netos com as quantias imensas que já amealharam indevidamente! Nem precisam ser condenados… Simplesmente que saiam da vida pública e venham exercer os cargos necessários pessoas honestas que entendam perfeitamente a função a exercer, ai sim, somente dentro da VERDADE, que libertará o erário nacional para o uso justo devido.

  • Otaviano, estamos plenamente identificados em relacao ao tema versado. Pena e que aas nossas intencoes se percam no tempo e no espaco…Aristoteles

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