twitter
facebook
linkedin
rss
14 / dez 2011

MENOS MINISTROS E MAIS DECÊNCIA

Nos Estados Unidos, como em alguns países da Europa, o presidente da República ou o primeiro-ministro não prescindem da assistência de pessoas versadas em diferentes especialidades, o que impede que as decisões sejam exclusivamente pessoais.

Já no Brasil, de alguns anos para cá, essa prática passou a ser adotada. Mas não se sabe até onde esses consultores estariam colaborando efetivamente com o governo ou se prestando à função de condutores de interesses de terceiros, que não têm acesso direto ao Executivo.

Em que pesem as frustrações vividas pela presidente Dilma Rousseff, desde a sua posse, na seleção de ministros reconhecidamente incapazes para o exercício de suas funções, é de se louvar a escolha que fez do empresário Jorge Gerdau para assisti-la em sua gestão, evitando que o governo continuasse a ser onerado com despesas improdutivas.

Jorge Gerdau coordena a Câmara de Gestão, Desempenho e Competitividade, que vem a ser um órgão consultivo composto por quatro empresários e quatro ministros, cuja finalidade é promover maior eficiência nas ações governamentais.

Em recente entrevista concedida à mídia, Gerdau foi taxativo ao afirmar ser “impossível administrar com 40 ministérios”. Esse juízo importou numa censura ao Executivo atual, deixando transparecer que a maioria dos insucessos conhecidos deve-se ao tamanho desmedido do ministério, em cuja formação houve influência direta do ex-presidente Lula.

Conforme vem sendo anunciado, é aguardada para o início de 2012 o que se chama de “dança das cadeiras”, em razão das disputas eleitorais e da incapacidade na gestão da coisa pública.

O Executivo brasileiro é composto, atualmente, por 24 ministérios, 9 secretarias da presidência e 6 órgãos com status de ministério, que foram distribuídos a várias legendas, ficando a maior parte com o PT, vindo, em segundo lugar, o PMDB, seguido do PDT, PSD e PR.

No corrente ano, ocorreram sete substituições, estando pendentes outras que a presidente Dilma deixou para 2012.

A esta altura, já se cogita a volta da Secretaria de Portos para o Ministério do Transporte e a de Pesca para o da Agricultura. O Ministério de Direitos Humanos deverá ser reincluído no Ministério da Justiça, enquanto que as secretarias sociais, como a de Igualdade Racial e a de Política para Mulheres, serão unificadas num só organismo.

Para o Ministério da Micro e Pequena Empresa que, pela sua importância, já deveria existir a mais tempo, está sendo cotado o nome da empresária Luísa Trajano, proprietária da cadeia “Magazine Luiza”, que desfruta da simpatia da presidente Dilma Rousseff.

No primeiro semestre deste ano, o jornal “O Estado de S. Paulo” denunciou o fato de que seis dos ministros nomeados por Dilma eram donos de empresas de consultoria. Segundo Ricardo Setti, estes geram mais de R$ 20 bilhões de reais do orçamento da União, paralelamente às atividades de consultoria que prestam aos seus clientes.

De nada serve a justificativa de que essas consultorias a empresas privadas não seriam passíveis de crítica, pelo fato de seus titulares atuarem em campos diversos daquele em que servem ao governo.

O conflito de interesses, ainda que não sendo direto e visível, não deixa de existir. E a melhor prova dessa colisão de vantagens está na sequência de fatos ocorridos desde o episódio Palocci, que não se sabe quando terá fim.

 

 

2 comentários

  • O ideal mesmo é o corte de ministérios que hoje parecem ser tantos quantos são as atividades profissionais e que restem de quatro a cinco, com equipes de de pessoas competentes. Não de políticos de carreira, mas de homens e mulheres que saibam administrar segundo a necessidade primordial de residencias, trabalho e estudos para os brasileiros e outros que morem no Brasil.

  • Otaviano, a minha proposta nao sera acolhida pelo governo atual, devido aos seus compromissos partidarios de que nao pode abrir mao, sob pena de travar o seu plano politico. Fica, assim, somente a advertencia…Aristoteles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × quatro =