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30 / jul 2019

MAIS UMA INSENSATEZ

A declaração de Jair Bolsonaro de que há “99% de chance” de o GP Brasil de Fórmula 1 deixar o autódromo de Interlagos e ser transferido para o Rio de Janeiro, revela mais uma afoiteza do presidente. O diretor executivo da F-1, Chase Carey, negou-se a admitir que a mudança de local já estivesse definida.

Em maio passado, Bolsonaro, o governador Witzel e o prefeito Marcelo Crivella, firmaram termo de compromisso pelo qual a transferência já aconteceria em 2020. Assim procederam como se ainda não estivesse em vigor o contrato que assegura a permanência da corrida em Interlagos, pelo menos, até o ano vindouro.

A ida de Bolsonaro ao Rio de Janeiro, onde emitiu a pressurosa declaração, importou no seu empenho pela realização da mudança de local, tendo como pretexto as dívidas contraídas pelo empreendimento em São Paulo. No início do ano, o prefeito Bruno Covas promoveu a abertura de crédito de R$2.122.941,44 para reforma do autódromo, cujos boxes estão sendo reconstruídos.

O Rio de Janeiro, cidade conflagrada em permanente guerra civil, com regiões controladas pelo tráfico e pelas milícias, jamais se prestaria à construção de um autódromo em seis meses, na zona militar de Deodoro, orçado em R$ 697 milhões.

A empresa vencedora da concorrência tem como diretor executivo J. R. Pereira, que presidiu a empresa falida Crown Telecom, devedora de R$ 24,7 milhões a União e que foi a única a participar do certame. Foi constituída em janeiro do corrente ano com o inexpressível capital social de R$ 100 mil.

Pereira é investigado pelo fato de a Crown haver destinado R$ 214 mil ao ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, entre 2007 a 2013, conforme já apurado pela operação Lava Jato.

O empresário aparece, também, no inquérito da Comissão Parlamentar dos Correios na fase do mensalão. Mas, nenhuma dessas estripulias o impediu de participar da concorrência, cujo resultado foi bem recebido pelos que subscreveram o ajuste prévio, agora, eufóricos com a realização do GP Brasil em 2021, em solo carioca.

Importa em flagrante despropósito que o autódromo, que ficará a cargo do consórcio Rio Motorsports, não haja esclarecido de onde sairá a verba para o investimento, numa cidade carente de segurança pública, saúde e educação. As prioridades de que o Rio de Janeiro carece foram ignoradas, como se a população estivesse propensa a renunciar aos recursos que lhe estão faltando. É revoltoso que o presidente da República apoie essa arrojada iniciativa que, à época de sua aprovação, não contava sequer com licenciamento ambiental.

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