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17 / set 2018

HÉLIO JAGUARIBE E A EDUCAÇÃO

Hélio Jaguaribe morreu aos 95 anos (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Nesta fase de desolamento com que convivemos, a perda de Hélio Jaguaribe Gomes de Matos constituiu um desfalque na esperança dos que ainda acreditam no restabelecimento dos princípios de moralidade e civismo que ele encarnou.

Advogado, sociólogo, cientista politico e escritor, marcou sua existência por atitudes corajosas, suportando os riscos de sua tenacidade.

Acoado pelo golpe militar de 1964, Jaguaribe passou a morar nos Estados Unidos, lecionando nas universidades de Harvard, Stanford e no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Retornou ao Brasil em 1969, tornando-se diretor de assuntos internacionais do Conjunto Universitário Cândido Mendes.

Em reconhecimento ao seu talento, recebeu o grau de doutor “honoris causa” da Universidade de Mainz, na Alemanha, sendo agraciado em Portugal, México e Argentina com as mais elevadas condecorações desses países.

Ocupou na Academia Brasileira de Letras a cadeira 11 como sucessor do economista Celso Furtado. Ficou conhecido pelos seus conceitos sobre a nossa gente, mormente quando afirmou: “O Brasil é mais ignorante do que pobre e, em última análise, é pobre porque é ignorante”.

No seu modo de ver, “o país tem o desenvolvimento que a sua educação lhe proporciona. O fato de que há uma parcela muito grande de brasileiros totalmente deseducados ou parcamente educados constitui um peso inerte que dificulta a marcha do Brasil. Portanto, a primeira coisa a fazer é ampliar a educação e melhorar o nível dela. Só isso já bastaria, porque, como o país tem uma tendência positiva para crescer, se tiver educação cresce na direção certa e com a velocidade certa”.

Ao conjugar a educação com o desenvolvimento, Hélio Jaguaribe acrescentou que “um grande esforço no sentido de aperfeiçoar, acelerar e ampliar o desenvolvimento cientifico-tecnológico é a primeira condição para se desenvolver”.

Às vésperas de sua morte, aos 95 anos, indagado sobre as mazelas da política atual, concluiu que: “Há uma falha no processo brasileiro, que é o fato de que a política não está mobilizando pessoas adequadas, mas sim oportunistas”.