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09 / mar 2020

ENTRE GORBATCHOV E PUTIN

Há uma contradição flagrante entre os governos de Gorbatchov e Putin, que o tempo não poderá desfazer. Tal qual o brasileiro, o povo russo tem memória fraca, esquecendo com facilidade as boas ações e deixando-se empolgar com os bezerros de ouro gerados pelo populismo e modernos meios de comunicação.

Consta que os serviços russos especializados em “fake news” compartilham da campanha de Donald Trump com vivo interesse. É sabido que o atual presidente daquela nação é um apreciador notório dos governantes autoritários.

Em janeiro passado, o Parlamento da Rússia aprovou reforma constitucional, por uma maioria escassa (450 x 432), destinada a assegurar a manutenção de Putin no poder a partir de 2024, quando deverá terminar o seu governo.

Putin pretende incluir na Constituição o Conselho de Estado, responsável pela ligação entre o Kremlin e os governos regionais. Desde então, o líder soviético assumirá a condição de eminência parda, atuando permanentemente nos bastidores, sendo desnecessária a aprovação eleitoral. Tornar-se-á, então, primeiro-ministro, assumindo o controle do Legislativo.

Na gestão putiniana, a Rússia invadiu a Ucrânia, anexou a Crimeia, aproximou-se do Irã, passou a avalizar a ditadura de Nicolás Maduro, além de flertar com a China, país com que mantém uma fronteira de 3.645 km.

A esta altura, Putin já investiu US$ 28 bilhões em programas sociais para conter a insatisfação interna.

Gobartchov surpreendeu o mundo com a sua “perestroikae a “glasnost, com que procurou romper o imobilismo da nação, assegurando aos seus concidadãos melhor qualidade de vida. O sopro vivificador daquele governante transformou-se num vendaval irresistível que varreu o leste europeu, derrubando o Muro de Berlim, símbolo da opressão comunista que foi posto abaixo pelo povo na fantástica festa da liberdade.

Acontece que o choque provocado por essas inovações levaram de arrastão o próprio Gorbatchov, afastado do governo por Boris Yeltsin, que ficou famoso pela ebriedade permanente, caindo no desapreço popular.

Com o passar dos dias, os russos se esqueceram de Gorbatchov, da ação que cumpriu como estadista, inclusive propiciando-lhes votar pela primeira vez, numa experiência inédita.

Conhecido o resultado das eleições, num eleitorado de mais de 100 milhões de votantes, Gorbatchov ficou entre os últimos colocados, recebendo 0,5% dos sufrágios, num desfecho frustrante que não encontrou explicações no Ocidente. Esse fracasso, imposto a um líder exemplar, conflita com a posição de um político ambicioso da marca de Putin, que pretende se perpetuar no comando da Rússia.

A ação dos grandes dirigentes que modificam o curso da história, não raramente, é relegada ao oblívio nos países onde se notabilizaram.             Mikhail Gorbatchov demonstrou que não era um homem adequado a disputar uma eleição, embora o seu nome esteja definitivamente incorporado ao patrimônio moral de sua pátria, além de ter sido um dos mais expressivos construtores de sua grandeza.

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