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18 / ago 2017

A DESCRENÇA E SEUS EFEITOS

Recente pesquisa do Instituto Ipsos confirmou estudos anteriores, realizados por outros órgãos similares, de que o eleitorado não se sente representado pelos legisladores que escolheu nas últimas eleições.

Nas entrevistas feitas em 72 municípios, a onda de negativismo tornou-se ainda maior, atingindo a expressiva taxa de 47% dos que não aceitam a democracia como sendo o melhor regime; enquanto 74% manifestaram-se contra o voto obrigatório.

O descrédito do Congresso concorreu para que a maioria de 94% se recuse a admitir que os políticos detentores de mandatos exerçam esta atividade em nome do povo, contrariando a regra constitucional (art. 1º, § único) pela qual esta representação é exercida por aqueles a quem foi outorgado mandato parlamentar.

Segundo esse levantamento, o problema do Brasil não pode ser imputado ao partido A ou B, seja do governo ou da oposição, mas, sim, ao nosso sistema político que faliu, ante a ineficácia das regras que o disciplinam.

Neste diapasão, ainda que o país conte com riquezas que poderiam assegurar-lhe um lugar entre as maiores nações do mundo, isto só ocorrerá quando for eliminada a corrupção que afeta todos os poderes da República.

A falta de representatividade foi igualmente objeto de estudos da Universidade de São Paulo, através de seu Núcleo de Pesquisa, e serviu para mostrar que o povo se ressente de mecanismos de aproximação com os legisladores.

Para Humberto Dantas, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP), “a sociedade está conseguindo identificar as estruturas, dentro do Legislativo e do próprio Judiciário, que visam apenas a beneficiar seus próprios membros, e que estariam agindo apenas para manter privilégios e um certo espírito corporativo”.

Assim, a recente aprovação do “distritão” e do fundo para custear as campanhas, pela Comissão Especial de Reforma Política, está na contramão do desejo popular. Estas inovações revelam que, na realidade, os nossos congressistas só estão interessados na sobrevivência de um sistema pernicioso, capaz de assegurar a sobrevivência dos 27 partidos existentes, sem abrir mão das vantagens que concorreram para a obtenção de um assento na Câmara.

Diante desses absurdos, os eleitores estão mais propensos a votar em branco ou nulo nas próximas eleições. A taxa de 8,56% (3,11% de brancos somados a 5,4% de nulos) no último pleito tende a elevar, face à descrença generalizada que assola o País.

Estes saqueadores dos cofres públicos não tiveram sequer vergonha de denominar o malsinado auxílio de “Fundo Especial de Financiamento da Democracia”, ainda que esta proposta esteja órfã, tamanha a reação contrária que provocou.