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24 / abr 2018

A CONVOCAÇÃO DOS ALIADOS

No vídeo, a senadora Gleisi Hoffmann disse que o ex-presidente Lula é um “preso político” (Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo)

Não é de hoje que a lulista Gleisi Hoffmann vale-se da tribuna do Senado para difundir as suas propostas. Assim procede como integrante de um quarteto (Lindbergh Farias, Vanessa Grazziotin e Fátima Bezerra) cujo mote permanente é a defesa do petismo, com ataques tempestuosos àqueles que não comungam de seu credo.

Nem mesmo um inquérito que se encontra no STF, envolvendo a sua pessoa, contribuiu para que a parlamentar se dispusesse a medir os efeitos das aleivosias assacadas contra aqueles a que atribui todos os males que atualmente suportamos.

Em vídeo gravado para a TV Al Jazeera, do Qatar, Gleisi direcionou suas ofensas contra o Judiciário brasileiro, qualificando como inverídicas as acusações que pesam sobre Lula, que “foi condenado por juízes parciais em um processo ilegal”. Na sua visão estrábica, a TV Globo “está pressionando o Judiciário brasileiro a não conceder liberdade a Lula, apesar de ela estar prevista na Constituição”.

Ante a gravidade das insolências proferidas, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) deu-lhe pronta resposta, censurando-a pelos chamamentos dirigidos aos países árabes.

Segundo a senadora gaúcha, esse apelo infringe o art. 8º da Lei de Segurança Nacional, que pune com a pena de reclusão de 3 a 15 anos aquele que “entrar em entendimento ou negociação com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, para provocar guerra ou atos de hostilidade contra o Brasil”.

Em sua fala, a congressista externou o seu receio de que a convocação feita por Gleisi Hoffmann “não seja um pedido para o exército islâmico atuar no Brasil”.

Na concepção temerária de Gleisi, a prisão de Lula importou na continuidade de um golpe iniciado em 2016, com o impeachment de Dilma Rousseff.

Agora, por determinação da titular da Secretaria Penal da Procuradoria-Geral da República, Raquel Branquinho, haverá a notícia do fato, que é o primeiro passo para a instauração de um inquérito em relação ao que foi dito por Gleisi em sua entrevista, divulgada em todo o mundo.

Tudo faz crer que, quando Gleisi emitiu a convocação dirigida a “todos e todas do mundo árabe a se juntarem na luta” em prol da libertação de Lula, não mediu as graves consequências desse desatino. Isto se deve, talvez, ao conceito negativo que faz do Poder Judiciário em nosso país, a que deverá prestar contas.