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15 / dez 2017

A CONVENIÊNCIA DE UMA RENÚNCIA

A despedida do deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca, não passou de uma jogada marota, que, a princípio, sensibilizou o seu eleitorado. A falsa impressão de que saíra desiludido da Câmara, devido ao comportamento de seus pares, deu-se em circunstâncias diversas daquela que sustentou.

A sua notoriedade decorreu da magnífica votação recebida em seu primeiro mandato (1.348.295 votos), concorrendo para que fosse, inclusive, indicado para ser o sucessor de Dilma Rousseff no processo de impeachment, por se tratar do segundo deputado mais votado do País.

Ao contrário do que afirmou no seu primeiro e único discurso na Câmara, valeu-se de dinheiro público na compra de passagens em benefício próprio e de seus assessores, nas apresentações cumpridas como humorista no Vale do Aço, Teófilo Otoni, Ilhéus, quando este recurso estaria vinculado ao exercício de sua atividade parlamentar.

Aqueles que acreditaram na versão de Tiririca, certamente se impressionaram com a sua lealdade ao mandato recebido, lamentando que não houvesse desempenhado a função que lhe fora conferida em decorrência de interesses maiores que condicionam a atividade congressual.

Na realidade, a atitude surpreendente que adotou inspirou-se em fato diverso ao que sustentou em sua fala comovente.

A cadeira que ocupava na Câmara terá um substituto, embora este ainda não esteja definido, em razão de divergências surgidas na interpretação do regimento interno da Câmara. Há, no entanto, prioridade para que o primeiro suplente de Tiririca seja José Genoino, irmão do atual deputado José Guimarães, da representação petista do Ceará.

A prevalecer esse entendimento, Genoino, embora tenha sido preso no processo do mensalão, irá desfrutar de foro especial perante o STJ, devido à sua condição de parlamentar.

Trata-se de manobra sórdida, engendrada pelo lulismo, fazendo de Tiririca o que nunca foi, convertendo-o em cidadão probo, que, doravante, não estaria propenso a conviver com o baixo clero que infesta a Câmara dos Deputados. Segundo Tiririca, “a gente é bem pago, a gente tira livre R$23 mil livre, tem apartamento e direito a carro, sem falar na carteirada que muitos de vocês dão. Mas já vi deputado se escondendo, porque para o povo isso aqui é uma vergonha”.

Ainda na sua prédica, o humorista ressaltou: “Eu ando de cabeça erguida, porque não fiz nada de errado. Mas muitos dos senhores não têm essa coragem, andam até disfarçados, negando a condição de parlamentar, porque é uma vergonha”.

Essa exortação, feita após sete anos de mandato, fez parte do esquema montado pelo PT. Revela o risco que estamos correndo nas eleições do próximo ano, criando espaço para novos arlequins que se notabilizaram no Rádio e TV, cujo único propósito consiste em auferir todos os proveitos que o mandato parlamentar possa oferecer.