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04 / set 2017

A CONTRIBUIÇÃO DA ODEBRECHT AO GOVERNO ANGOLANO

Após 38 anos de mão de ferro, José Eduardo dos Santos, líder histórico de Angola, elegeu seu sucessor, João Lourenço, que obteve 64% dos votos já contestados pela oposição. O resultado marca o fim de um regime autoritário, que tem no petróleo a chave do poder manejada pela estatal comandada diretamente pelo presidente.

Em 2002, Eduardo dos Santos instituiu a Lei do Segredo de Estado para resguardar os interesses financeiros, econômicos, monetários e comerciais de Angola. O país é considerado um dos mais corruptos do mundo, ocupando a 164ª posição de um total de 176.

A cúpula governamental desfruta de alto padrão de vida, enquanto metade da população de 25 milhões sobrevive com menos de US$ 3 ao dia, vivendo amontoada em cortiços e favelas.

A filha do presidente, Isabel dos Santos, é tida como a mulher mais rica da África, com uma fortuna avaliada em US$ 3,5 bilhões.

Segundo António Monteiro, ex-chanceler e presidente do Banco Millennium BCP (maior banco privado português), o que sustentou o seu país foi o dinheiro angolano, embora reconhecido como sendo de origem duvidosa.

Entre 2006 e 2016, o governo brasileiro liberou quase US$ 3,22 bilhões em financiamento para operações da Odebrecht com Angola. Um dos motivos alegados para a obtenção desse empréstimo, segundo o presidente José Eduardo dos Santos, era “dar trabalho aos generais que o apoiaram”, como afirmou a Emílio Odebrecht, e que “foram fundamentais para a paz e não poderia deixá-los no ostracismo”.

Os investimentos da Odebrecht consistiram em estradas, avenidas, aeroportos, hidrelétricas, contando com a linha de crédito do BNDES. O financiamento das campanhas eleitorais de José Eduardo dos Santos deu-se, em parte, com a ajuda da estatal brasileira.

Segundo Mônica Moura, esposa do marqueteiro João Santana, somente na eleição de 2002 a Odebrecht repassou US$ 20 milhões ao MPLA, partido do presidente que buscava e obteve a reeleição. A sua ligação com os governos de Lula e Dilma foi decisiva na obtenção dos favores com que foi contemplado.

A Odebrecht não nega a corrupção que medrou em Angola, que contou com a participação de seus executivos. Em nota que publicou, a empreiteira exculpou-se afirmando que a apuração dessas falcatruas “é de responsabilidade da Justiça”, pois já reconheceu seus erros, havendo formulado pedido público de desculpas ao assinar o Acordo de Leniência com as autoridades dos países onde atuou, comprometendo-se, doravante, a combater e não tolerar mais qualquer espécie de corrupção.

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