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20 / maio 2011

COMO FICARÁ O BRASIL NO FUTURO?

Deveremos assistir, até 2050, à transferência da importância política e econômica do Ocidente para o Oriente, com a China e a Índia pontificando como detentoras do produto mundial.

Estudiosos dessa transformação adiantam que na metade do século atual a economia daqueles dois países estará equiparada à da União Européia.

Será o caso, então, de se indagar: como ficará o Brasil como quarta ou quinta economia do mundo e maior potência do hemisfério sul?

Essa previsão, caso se confirme, sugere a permanência do nosso país em situação de equidistância entre a China e os EUA, sem se atrelar a qualquer dessas nações, não se expondo aos riscos dos conflitos iminentes que possam surgir na disputa pela titularidade do domínio mundial.

Daí a necessidade de uma política externa bem ordenada através de negociação permanente, com equilíbrio da defesa dos direitos humanos e o respeito da autodeterminação dos povos.

Joseph Nye, que foi assessor para defesa e diplomacia dos governos de Carter e Clinton, lançou recentemente a obra “The Future of Power”, ainda não traduzida para o português. O estudo condensa a sua experiência recolhida ao longo de dez anos ao lado daqueles presidentes e nas aulas que ainda hoje ministra em Harvard.

Na sua opinião, os EUA ainda permanecerão na frente dos chineses, afastando a possibilidade de uma equiparação em renda “per capita”.

O fato de a China manter o regime autoritário e a sua política de direitos humanos ser recebida com suspeita, contribuirá para que enfrente dificuldade em superar os EUA tanto como sociedade civil como nas ações de seu governo.

A eleição de um presidente afroamericano, com um nome que soa estrangeiro, concorreu para restabelecer, em certa medida, a confiança no sistema político da nação norte-americana, principalmente após o fracasso da temerária aventura empreendida por George W. Bush no Iraque.Pois este, quando não conseguiu da ONU uma resolução que apoiasse a sua investida, levou adiante seu plano arrojado pelo qual pagou um preço bem caro.

Segundo Joseph Nye, a diplomacia não será mais realizada entre governos, passando a ser ocorrer entre esses últimos e populações ou talvez entre populações apenas, afastando-se do figurino tradicional.

O Conselho de Segurança da ONU, ainda que não represente o mundo de 1945, deverá subsistir, tendo ainda importante papel a cumprir na solução dos litígios internacionais.

Quanto às cotas de votação do FMI, ainda que representem um mundo antigo, não estão ultrapassadas, dependendo de ajustes que deverão contar com a participação de países emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul.

Nye, indagado sobre os novos rumos da diplomacia brasileira, reconheceu que a presidente Dilma está dando mais ênfase à política dos direitos humanos, o que naturalmente conferirá mais poder ao nosso país, cujo impressionante crescimento econômico não pode ser ignorado.

Comentando a recente abstenção brasileira na votação sobre a intervenção na Líbia, manifestou sua estranheza com aquele fato no momento em que o Brasil aspira à condição de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU.

É dele o conceito de “soft power” que vem a ser o poder que um país ou cultura têm de atrair seguidores e persuadi-los, o que a seu ver falta à China para assumir a liderança como maior potência global.