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15 / jan 2018

A COMEMORAÇÃO DA VITÓRIA

Em dezembro passado, ocorreu a aguardada prisão do responsável pela guerra da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. O traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, veio a ser preso na comunidade de Arará, na zona norte, numa megaoperação policial.

O fato ganhou notoriedade excepcional após a disputa pelos meliantes do tráfico de drogas naquela região, que deixou 20 mortos e 14 feridos nos quatro últimos meses.

O Estado chegou a oferecer R$ 50 mil de recompensa a quem fornecesse informações sobre o paradeiro do bandido. No momento da prisão, Rogério encontrava-se desarmado, demonstrando surpresa ao ser reconhecido, embora houvesse tentado subornar os agentes, afirmando: “Vocês podem fazer suas vidas aqui”.

Por maior que fosse a expectativa reinante pela detenção do criminoso, a exploração havida por parte das autoridades policiais extravasou os limites, sem que houvesse de parte do governador Luiz Fernando Pezão qualquer restrição a ufania reinante.

Os policiais compartilharam em redes sociais um festival de selfs ao lado de Rogério. O delegado responsável pela Rocinha, Antonio Ricardo Lima, se posicionou, com outros agentes, ao lado do preso, enquanto o secretário de Segurança, Roberto Sá, classificou o inusitado comportamento policial de “euforia compreensível”.

Guardadas as devidas proporções, a prisão de Rogério 157 fez lembrar o retorno dos romanos no final da guerra, expondo os presos à curiosidade pública como troféus obtidos na encarniçada luta de que participaram.

O delegado Gabriel Fernandes, fingindo que não aprovava os excessos cometidos pelos seus subordinados, afirmou que se tratava de uma vitória digna de ser comemorada com toda pujança.

Àquela altura, já não mais se cogitava da morte de 124 policiais ocorridas naquele ano, bem como os que foram alvo de balas perdidas, ou forçados a abandonar seus cargos para se safarem dos tiroteios. Importava somente demonstrar que a polícia era mais forte que o crime, estando capacitada a conter os conflitos permanentes no crime organizado.

As policiais militares que participaram da detenção sorriam encantadas com o êxito obtido, como se estivessem sendo fotografadas ao lado de artistas da televisão.

Apesar desse comportamento reprovável, ainda não há certeza de que Rogério Avelino, assim como Antônio Bonfim Lopes, seu rival, mais conhecido como Nem, que também se encontra preso, não possam se evadir, a exemplo do que ocorreu com Fernandinho Beira-Mar e outros facínoras.

Por maior que seja a atenção especial a Rogério 157, inclusive dificultando a sua articulação com outros criminosos, o risco de sua evasão ainda existe, sem que se possa prever qual será o comportamento da polícia no futuro, hoje engrandecida pela façanha realizada.