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22 / set 2017

O CRIME DE RAÚL SENDIC

Raúl Sendic renunciou depois de uma decisão do Tribunal de Conduta Política de seu partido (Foto: LaRed21)

No início deste mês, o vice-presidente do Uruguai, Raul Sendic, pressionado pela opinião pública, renunciou ao cargo por haver se envolvido no uso escandaloso de cartões corporativos oficiais.

Para que fosse levado a essa atitude não foi necessária a instalação de uma CPI, nem um “rigoroso inquérito”, como acontece no Brasil, em que o desfecho varia conforme o poder político do indiciado.

Também não houve de parte do procurador-geral da República qualquer iniciativa bombástica destinada a averiguar se Sendic agira só ou se contou com outros acólitos na prática da infração que o levou a deixar o poder. (mais…)

18 / set 2017

TARDOU, MAS CHEGOU

Na decisão em que determinou a prisão provisória de Joesley Batista e Ricardo Saud, o ministro Luiz Edson Fachin ressaltou que esta deveria ser efetivada “com a maior discrição” e “menor ostensividade”, para preservar “a imagem dos presos, evitando qualquer exposição pública”. E, não se tratando de “indivíduos perigosos, deve ser evitado o uso de algemas”.

Admitindo como medida de prudência que a prisão não assumisse proporções circenses, é estranha a advertência consignada no despacho, considerando o tratamento dispensado a outros fraudadores da lei envolvidos no escândalo da Lava Jato. Em nenhuma das medidas coercitivas ficou consignada a mesma cautela.

Na gravação que concorreu para a prisão dos meliantes, tanto Joesley como Ricardo, zombetearam do STF, deixando registrado no áudio que alcançou inusitada repercussão: “Ninguém aqui vai ser preso. Não tem nenhuma chance. Não precisa dar explicação nenhuma. Nós num vai (sic.) ser preso, por isso que nós dois tem que estar cem por cento alinhados”, disse Joesley. (mais…)

15 / set 2017

O RISCO DE UMA GENEROSIDADE

Desconsiderando as ressalvas feitas pelo Tesouro Nacional e sob um clima de mal-estar na área econômica, o presidente em exercício, Rodrigo Maia, homologou o Plano de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro.

A chancela conferida pelo presidente transitório lhe renderá expressivos dividendos políticos, por se tratar de ato que se destina a ajustar as contas do Estado em R$ 63 bilhões no próximo triênio, com possibilidade de ser prorrogado por igual prazo.

A celebração do acordo importará na injeção de R$ 11,1 bilhões de dinheiro novo no caixa, entre 2017 e 2018, inobstante o desgaste junto à área técnica. (mais…)

12 / set 2017

O SALTO OLÍMPICO DA CORRUPÇÃO

O êxito das Olimpíadas de 2016 perdeu muito de seu encanto com a notícia das sérias objeções quanto ao sistema montado para que o certame fosse realizado na capital fluminense.

O MPF acusou o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, por haver participado na compra de votos, mediante estratagema que envolveu o seu comparsa, Arthur César de Menezes Soares Filho, residente em Miami e conhecido como “Rei Arthur”, o senegalês Lamine diack, dirigente do COI e seu filho, Papa Masata Diack, que atuou na distribuição de propinas.

Nuzman e Rei Arthur, realizaram 15 viagens aos Estados Unidos e Europa (fevereiro/outubro/2009). A comitiva esteve em vários países, inclusive na Nigéria, dela participando o então prefeito César Maia, o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-ministro de Esportes, Orlando Silva, comandados pelo saltitante Lula e prestigiados pela figura emblemática de Pelé. (mais…)

08 / set 2017

A MANUTENÇÃO DA CASA DA MOEDA

O processo de privatização, com a divisão das tarefas entre o Estado e empresas particulares, favorecerá a recuperação da economia, gerando a criação de emprego e produtividade.

Isto concorrerá para que os recursos mal administrados pelo Estado prestem-se à melhoria do ensino, saneamento, segurança e transporte, que, por serem prioritários, devem contar com receitas suficientes no cumprimento de sua finalidade.

Assim que deflagrada a notícia, houve quem se surpreendesse com a inclusão da Casa da Moeda no rol das empresas que seriam alvo dessa metamorfose. A oposição considerou a iniciativa somente como um lampejo de Temer em busca de solução que pudesse concorrer para a sua estabilidade política. (mais…)

04 / set 2017

A CONTRIBUIÇÃO DA ODEBRECHT AO GOVERNO ANGOLANO

Após 38 anos de mão de ferro, José Eduardo dos Santos, líder histórico de Angola, elegeu seu sucessor, João Lourenço, que obteve 64% dos votos já contestados pela oposição. O resultado marca o fim de um regime autoritário, que tem no petróleo a chave do poder manejada pela estatal comandada diretamente pelo presidente.

Em 2002, Eduardo dos Santos instituiu a Lei do Segredo de Estado para resguardar os interesses financeiros, econômicos, monetários e comerciais de Angola. O país é considerado um dos mais corruptos do mundo, ocupando a 164ª posição de um total de 176.

A cúpula governamental desfruta de alto padrão de vida, enquanto metade da população de 25 milhões sobrevive com menos de US$ 3 ao dia, vivendo amontoada em cortiços e favelas. (mais…)

28 / ago 2017

UM NOVO MÉTODO DE FRAUDAR

Ante o desprestígio dos partidos políticos brasileiros que se envolveram em escândalos de toda sorte, a troca de nomenclatura tornou-se a melhor alternativa para se fortalecerem nas eleições de 2018. É uma “roupa nova” a ser usada no próximo pleito.

Como até hoje nenhuma das facções adotou uma linha programática que fosse realmente praticada, os eleitores não se identificam com as siglas atuais. Daí, inspirando-se nos exemplos de Espanha, Itália e França, optarem por denominações que concorreriam para “humanizar a política”, que possam infundir no povo a confiança perdida.

A esta altura, já contamos com o Avante (PTdoB), Patriota (PEN), Podemos (PTN), Livres (PSL), Mude (DEM). Há muitas outras alterações em curso. (mais…)

25 / ago 2017

A DEFORMAÇÃO POLÍTICA

Nesta fase de nossa vida política em que se torna premente a necessidade de se higienizar o Parlamento, cogita-se da criação de fórmulas tão milagrosas como vexatórias, que dotariam os legisladores de recursos que lhes permitam continuar aboletados nas cadeiras que obtiveram nas últimas eleições.

Em 2010, o índice de renovação foi de 46,4%; já em 2014, 43,5%. A esta altura, já há quem sustente que a próxima legislatura será pior que a atual. Ora, a decantada reforma política, que tem gerado tanta polêmica, concorre para que tenhamos novos “representantes” ainda de qualidade inferior aos de hoje, além de assegurar a permanência no Congresso de outros que ali não mereciam ter chegado.

A instituição do “Fundo Especial de Financiamento da Democracia”, por si só, estimula este presságio, por impor ao povo brasileiro o ônus de custear o funcionamento de partidos – existentes e em formação – que não o representam, que com eles não têm a menor afinidade. (mais…)

21 / ago 2017

TODOS SÃO IGUAIS

A recente aprovação pela comissão de reforma política da Câmara do relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP), infunde a certeza de que não há de parte do Legislativo o menor interesse em melhorar o sistema atual, tais os absurdos abonados.

Entre as propostas acolhidas está um fundo com recursos públicos, destinado às campanhas eleitorais, denominado pomposamente de “Fundo Especial de Financiamento da Democracia”.

Se os 35 partidos existentes, no momento, julgam-se no direito de recorrer a este artifício por terem sido privados dos financiamentos das empresas, que busquem obter este reforço junto aos seus seguidores, não se valendo do povo desiludido que enfrenta a maior crise financeira de nossa história. (mais…)

18 / ago 2017

A DESCRENÇA E SEUS EFEITOS

Recente pesquisa do Instituto Ipsos confirmou estudos anteriores, realizados por outros órgãos similares, de que o eleitorado não se sente representado pelos legisladores que escolheu nas últimas eleições.

Nas entrevistas feitas em 72 municípios, a onda de negativismo tornou-se ainda maior, atingindo a expressiva taxa de 47% dos que não aceitam a democracia como sendo o melhor regime; enquanto 74% manifestaram-se contra o voto obrigatório.

O descrédito do Congresso concorreu para que a maioria de 94% se recuse a admitir que os políticos detentores de mandatos exerçam esta atividade em nome do povo, contrariando a regra constitucional (art. 1º, § único) pela qual esta representação é exercida por aqueles a quem foi outorgado mandato parlamentar. (mais…)