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29 / maio 2020

O FESTIM DE BOLSONARO

Após a divulgação do questionado vídeo do encontro ministerial de 22 de abril passado, o presidente Jair Bolsonaro deflagrou um ataque contra o ministro Celso de Mello, que autorizou a difusão do vexatório episódio.

A sua insatisfação consistiu em propagar trecho da Lei 13.869/19, que dispõe sobre o abuso de autoridade, tendo por finalidade desfazer a acusação de interferência de Bolsonaro na atuação da Polícia Federal.

O escopo da ofensa consistiu em demonstrar que as decisões do decano, visando afetar a imagem do mandatário, concorreram para embasar a suspeição do censor, que não estava autorizado a liberar o conteúdo da peça que deixou Bolsonaro em situação comprometedora.

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25 / maio 2020

OS DESATINOS DE BOLSONARO E TRUMP

Assim que surgiram os primeiros fatos que comprometeram a administração de Jair Bolsonaro e seus filhos, não tardaram a eclodir suspeitas de que o presidente poderia ser alvo de um processo de impeachment, a exemplo do que sucedeu a Fernando Collor e Dilma Rousseff.

Os sucessivos crimes de responsabilidade que vieram à tona concorreram para que os boatos ganhassem maior expressão. Deixar Bolsonaro imune às balelas em ebulição equivaleria a coonestar os seus atropelos, contemporizando desacertos, a cada dia mais frequentes.

Se o calculista só se dispõe a colocar em prática os seus planos quando está seguro do êxito almejado, já o policial não poderá omitir-se sempre que depara com uma ilegalidade passível de punição. Assim, quando o meliante atua ostensivamente, faltando ao cumprimento de suas obrigações como cidadão, estará legitimando o ilícito, equiparando-se ao infrator.

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15 / maio 2020

O risco de um novo impeachment

O vídeo da reunião ministerial promovida em 22 de abril teria durado duas horas, compreendendo fatos inéditos, destinados a blindar os interesses políticos da família do presidente Bolsonaro. A linguagem que prevaleceu no encontro foi marcada por expressões chulas, comumente empregadas em conversa de botequim.

O evento concorreu para que o chanceler Ernesto Araújo exaltasse as suas teorias lunáticas envolvendo a China, ao mesmo tempo em que qualificasse, em linguagem depreciativa, a genealogia de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro propagou o que lhe veio à cabeça.

Decorridos alguns dias, a Advocacia Geral da União postulou junto ao ministro Celso de Mello que revisse a decisão de difundir a gravação, sob o pretexto de que na tumultuada reunião foram tratados “assuntos potencialmente sensíveis e reservados ao Estado”, que poderiam refletir negativamente no relacionamento externo do Brasil.

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08 / maio 2020

O DESAFIO AO QUARTO PODER

Sou de uma geração em que ser educado não importava numa qualidade e, sim, num predicado de todo aquele que buscasse um espaço na sociedade. Não se concebia que alguém pudesse desfrutar do respeito alheio, nem ocupar alguma posição de relevo, caso não trouxesse consigo um rasgo de civilidade que o credenciasse a ser convocado ao exercício de uma tarefa, fosse de ordem pública ou privada.

E ninguém se atreveria a pleitear uma colocação de nomeada, caso não se sentisse habilitado a exercê-la polidamente.

No início desta semana, o presidente Jair Bolsonaro, num arroubo de selvageria, questionado por repórteres sobre as recentes mudanças operadas na Polícia Federal, reafirmou o seu desarranjo mental ao dirigir aos seus interlocutores as mais escabrosas referências, como já fizera em outras oportunidades.

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05 / maio 2020

A DESIGUALDADE EXTREMA E O CRESCIMENTO ECONÔMICO

A Justiça é o dever-ser para os dirigentes da mesma forma que vem a ser a esperança para os oprimidos, que ainda aguardam dias melhores no futuro que acalentam.

Esta expectativa abarca vários significados e conveniências, dependendo da ocasião. A ideia da justiça é alimentada como uma intenção de criar um mundo melhor, que emergirá das relações sociais.

O Brasil objetiva aprimorar a Justiça somando esforços, acreditando na capacidade de seus filhos, desfazendo as incertezas e as lutas de classe. Na maioria das sociedades, o poder é exercido por grupos minoritários, segundo seus interesses, moldando o seu desempenho de acordo com a sua forma de produzir, pensar e viver.

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24 / abr 2020

O DESTEMPERO PRESIDENCIAL

O episódio que vivemos no dia 19 de abril, haverá de passar à história como um dos fatos mais deprimentes, tanto pelos seus objetivos, como por quem o liderou, para a vergonha da Nação.

Não podemos confundir os discursos retóricos, que possam despertar o sentimento patriótico, com os arroubos temerários que estiolam os princípios subjacentes e norteadores das grandes causas cívicas.

O ato que reuniu algumas centenas de possessos ganhou maior repercussão com a presença de seu mentor, no discurso golpista proferido em frente ao quartel-general do Exército, desafiando os poderes da República.

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17 / abr 2020

DO DIREITO DE IR E VIR E O ABUSO DE DIREITO

Desde o dia 15 de março, Bolsonaro vem afrontando as normas da OMS, entrando em conflito com a orientação implantada pelo então ministro Luiz Henrique Mandetta. Enquanto isso, renomados líderes mundiais passaram a adotar medidas restritivas, defendendo o isolamento como forma de conter o avanço da Covid-19.

Conforme dados da Universidade Johns Hopkins dos Estados Unidos, até a semana passada foram registrados 1,7 milhão de casos de infectados.

Na última semana, ao insistir neste desafio, o presidente compareceu ao Hospital das Forças Armadas em companhia do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Indagado pelos jornalistas quanto ao motivo de sua presença naquele local, respondeu que fora “tomar sorvete” ou “fazer teste de gravidez”. Como os repórteres lhe perguntassem se, ainda, ia a outro lugar, foi incisivo na resposta: “Eu tenho direito constitucional de ir e vir. Ninguém vai tolher minha liberdade de ir e vir”.

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14 / abr 2020

O MINISTÉRIO DA SAÚDE, OSWALDO CRUZ E CARLOS CHAGAS

As atividades políticas que levaram à criação do Ministério da Saúde foram concretizadas somente em 1908, sendo que a formação do novo órgão ocorreu em 1953. A sua finalidade originária era o combate à epidemia da malária e leishmaniose, desde a formulação da Política Nacional de Saúde implementada pelo médico Estácio Souto Maior.

Em 1963, consoante posição defendida pelo ministro Raimundo de Moura Britto, no governo de Castelo Branco, procedeu-se a inclusão daquele Ministério na Previdência Social dentro do Plano Nacional de Saúde, que adotou diretrizes políticas cogitadas anteriormente.

Mesmo exercendo atuação científica, a nova pasta não ficou imune às influências políticas. A maioria de seus ocupantes provinha do Legislativo federal, não sendo formada somente de médicos conceituados. Foi graças à sua intensa desenvoltura como ministro da Saúde (1988), na administração de FHC, que o senador José Serra, político estudantil e ex-presidente da UNE, logrou candidatar-se ao Planalto.

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03 / abr 2020

A ITÁLIA E O COMBATE AO CORONAVÍRUS

O aumento do número de mortes na Itália, a cada dia, leva ao exame das causas da letalidade assustadora do coronavírus. A implantação da quarentena foi insuficiente para conter a pandemia, sem que o decreto baixado pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte, produzisse o resultado esperado. O premiê teve sua popularidade elevada de 44% em fevereiro para 71% em março.

A proibição imposta ao funcionamento do comércio, ao deslocamento não essencial da população, não impediu as caminhadas diárias, a frequência nos parques, as corridas individuais, assim como os passeios pela manhã com os animais de estimação.

O mesmo sucedeu às detenções implementadas pela polícia aos que passavam pela praça Duomo ou visitavam a Galeria Victor Emanuel, deleitando-se com aqueles monumentos e lojas.

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27 / mar 2020

O INIMIGO DA VERDADE

Ao contestar a doença que alcançou a todos os cinco continentes, o presidente Jair Bolsonaro reafirmou a sua índole negacionista, o seu propósito deletério de divulgar fatos que lhe possam trazer notoriedade.

Já houve quem advertisse que Bolsonaro é um subproduto de Trump, que copia mal tudo o que o presidente dos EUA faz ou promete fazer.

A sua versão de que o resultado do primeiro turno das eleições de 2018 fora fraudado, não contou com o menor indício que pudesse levá-lo a sério. Ao rejeitar os dados do INPE sobre o desmatamento da Amazônia, assim se houve levianamente, opondo-se aos elementos de convicção que demonstravam o contrário.

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