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31 / jul 2018

AUTORIDADE DESMEDIDA

A horrenda situação protagonizada por Donald Trump, promovendo a separação de crianças de seus pais, guarda semelhança com o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando os seus pais eram mandados para os campos de concentração.

Conforme anotou o editor de Opinião do “The New York Times”, David Leonhardt, ao referir-se à chegada em massa de imigrantes aos Estados Unidos, Trump a qualificou como sendo uma “infestação”. Esta palavra sugere que os imigrantes “são equivalentes a insetos ou ratos”, uma analogia que os nazistas frequentemente usavam quando se referiam aos judeus.

Por sua vez, Hadley Freeman, colunista do “The Guardian”, sustentou ser “impossível para aqueles de nós que somos descendentes de sobreviventes do Holocausto ouvir as gravações de crianças chorando por seus pais e não pensarmos nas crianças judias de nossa família que foram forçadas a se separar de seus pais”.

A política implementada pelo presidente norte-americano de “tolerância zero” na fronteira dos Estados Unidos com o México, que afetou mais de 2000 crianças, foi alvo de censura do Papa Francisco na mesma linha de pronunciamentos de outros líderes mundiais.

No rol dos menores atingidos, figuram 49 brasileiros que foram apartados da família e levados para abrigos, sendo que a maioria provém da América Central. Onze estados, através do procurador-geral de Washington, Bob Ferguson, ingressaram contra essa política, qualificando-a de “desonesta, cruel e inconstitucional”.

Segundo Ferguson, dos 200 imigrantes mantidos em prisões de Washington, 174 são mulheres que foram compelidas a se afastar de seus filhos, cujas idades variam de um ano a adolescentes, sem que o governo federal lhes forneça qualquer informação quanto ao paradeiro das crianças.

Não bastasse esse quadro preocupante, que tende a piorar, Trump empenha-se em extinguir o programa Daca, que livra de deportação os imigrantes que chegaram ao país quando crianças, além de vedar o ingresso de cidadãos de seis países onde a maioria é muçulmana.

O recuo de Trump, ante os protestos eclodidos nos Estados Unidos e no mundo, não foi suficiente para que ele abandonasse o propósito de obter do Congresso a aprovação de verba destinada à construção do muro na fronteira com o México.

A cada dia, o presidente renova a crítica aos democratas, responsabilizando-os por não ter sido aprovada uma reforma migratória que atenda aos interesses da nação que governa.