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16 / out 2017

A TRAMPOLINICE OLÍMPICA

A recente detenção de Carlos Arthur Nuzman, com repercussão internacional, não significa que o dirigente esteja fadado a responder a um processo equivalente à gravidade da trapaça cometida. Agora, com o decreto de sua prisão preventiva pelo juiz Marcelo Bretas, a situação do esportista tornou-se ainda mais grave.

Na semana passada, uma Comissão de Atletas, bem relacionada com o Comitê Olímpico Brasileiro, emitiu nota sustentando a necessidade de se afastar a imagem daquela entidade da figura de Nuzman.

Trata-se, evidentemente, de um artifício bem orientado que objetiva, pelo menos, amenizar a situação do investigado perante a instituição que dirige há 22 anos. Essa longa permanência no COB só se tornou possível com o patrocínio das federações que participam da escolha do presidente, recebendo, em moeda de troca, os benefícios decorrentes desse apoio.

Daí não se poder aceitar a ressalva dos signatários da malsinada nota de que aplaudem a atuação do MP e da PF, desde que o inquérito não envolva o COB. Trata-se de uma jogada marota, que conta com o aval de Nuzman e seus asseclas, a refletir dissimuladamente na sentença final.

O pronunciamento dos atletas, destinado a ressalvar o desempenho de seus subscritores, não se justifica, uma vez que o Comitê Olímpico Internacional já emitira manifestação pela qual os brasileiros não seriam atingidos pela inidoneidade de Nuzman, que ficou afastado de suas funções junto àquele órgão.

Como se não bastasse a devassidão que tomou conta da política partidária, o País ainda corre o risco de ser afetado num legado olímpico obtido ao longo de tantos anos.

Além da perda de 87% da verba destinada ao esporte, imposta pelo governo, as empresas que ainda patrocinavam essa atividade tendem a não mais contribuir para o incentivo dos atletas, que, a cada dia, se sentem menos estimulados até mesmo para treinar.

Urge, portanto, promover um planejamento estratégico a ser desempenhado por pessoas sérias e capazes, que tenham condições de tornar a preparação olímpica transparente, de modo a galvanizar as empresas que se disponham a identificar suas marcas com o esporte brasileiro.

No final de 2016, a Nike deixou o COB, sendo substituída pela chinesa Peak, que estaria propensa a pagar o dobro de sua antecessora no fornecimento de uniformes para as delegações. Além dessa contribuição, o COB ainda mantém parceria com a Travel Ace (seguros de viagem), a Srcom (marketing de eventos) e a BRW Sports Group (fornecedora de equipamento fitness).

Ante a turbulência criada pelo escândalo da Olimpíada de 2016, tudo faz crer que mesmo as fornecedoras contratadas poderão deixar o COB sem essa ajuda, para que não sejam confundidas com os dirigentes que têm em Nuzman o protótipo da corrupção.

Esse é o risco a que o nosso esporte está sujeito, sem se falar no estado deprimente em que se encontra a maioria das obras realizadas no desgoverno de Sérgio Cabral, que recrutou Carlos Arthur Nuzman, Leonardo Gryner e o foragido “rei” Arthur, para que obtivesse um resultado vergonhoso, contando com o “auxílio” desses exímios colaboradores.