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13 / jan 2020

A TENDÊNCIA À CONFRONTAÇÃO

O presidente Jair Bolsonaro converteu a saída do Palácio da Alvorada em um palanque de onde emite as mais excêntricas e provocantes mensagens, que ganham repercussão nacional.

A truculência do mandatário não surpreende, pois, mesmo antes de sua posse, desferiu reiterados ataques à imprensa, demonstrando que o mesmo aconteceria após a sua investidura como supremo dirigente da Nação.

Desde então, tornaram-se conhecidas as manifestações contrárias aos órgãos de divulgação em 99 oportunidades, numa demonstração patente de que abomina a atividade jornalística.

No início do governo de Lula, o País foi colhido de surpresa com a notícia da expulsão do jornalista Larry Rohter, correspondente do “The New York Times”, que divulgou que o presidente era apreciador de bebidas alcoólicas. O fato ganhou repercussão, sem que se consumasse o expurgo anunciado, diante das ponderações feitas a Lula pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

As restrições impostas ao jornal “Folha de SP”, cancelando as assinaturas de parte de órgãos federais, repercutiu negativamente devido à singularidade da restrição.

No episódio em que colocou sob suspeita a sexualidade de um repórter, além de questionar o comportamento da genitora de outro, o propósito de Bolsonaro foi de desafiar os órgãos da imprensa que vinham se posicionando contrariamente ao seu governo.

Nem mesmo Donald Trump, que vive em frequentes rusgas com jornalistas, atingiu um nível tão baixo como o que ocorreu em Brasília. O decoro é inerente ao exercício da presidência, que lhe imprime autoridade nos atos praticados, que fica comprometido e gera incredibilidade quando a decência é deixada à margem, como vem acontecendo no governo atual.

Na sequência dos vexames cometidos, o presidente se apequena, frequentemente, perante a opinião pública, transmitindo a impressão de que se sente acuado pela mídia, mormente quando o entrevero envolve um de seus filhos.

A persistir neste diapasão, o antigo oficial reformado contribuirá para que o programa do ministro Guedes não surta os efeitos que o povo aguarda, pois será afetado pelos disparates presidenciais.

Nem mesmo o pedido de desculpas a que é levado pelos seus auxiliares mais próximos desfaz a má impressão deixada pelos dislates cometidos, frutos de um ímpeto incontido.

 O presidencialismo com que convivemos, ao invés de ser de coalizão, tornou-se o presidencialismo de confrontação. É o que assistimos diariamente, pois os ataques não são desferidos somente contra os adversários, atingindo os próprios aliados.

A recuperação gradual da economia, que oferece boas perspectivas no momento, sofrerá os efeitos negativos das atoardas do presidente caso este prossiga com o tom beligerante que marca as suas manifestações.

Os ataques sistemáticos à imprensa, a ironia com que se dirige aos profissionais da informação, ao invés de fortalecer a sua imagem, prestam-se a desfigurá-la, concorrendo para a descrença daqueles que o elegeram.

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