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07 / jun 2011

A PRIVATIZAÇÃO DOS AEROPORTOS

Nos últimos anos, a crise aeroviária agravou-se iterativamente nos meses de dezembro e janeiro. Além das chuvas causadoras de tragédias, ainda temos o congestionamento do tráfego aéreo, que piorou desde o início do primeiro mandato do presidente Lula.

De lá até hoje, não se tem notícia de medidas concretas que houvessem, pelo menos, atenuado a penúria dos passageiros que se aventuram a viajar naquela fase do ano.

Agora, com a realização da Copa de 2014, a presidente Dilma Roussef anunciou que entregará à iniciativa privada os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Desde o trágico acidente com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas, esta providência foi alvitrada, com o reconhecimento da incapacidade da Infraero em gerir os nossos aeroportos sem a segurança necessária. Passado o sinistro, celebrada a missa de sétimo dia pela alma das vítimas, não mais se falou nisso e tudo ficou praticamente do mesmo tamanho.

Assim, no governo anterior, o sofrimento das famílias que perderam seus entes queridos não foi bastante para estimular a privatização, pois, se isto acontecesse, o Partido dos Trabalhadores estaria contrariando os seus princípios de fortalecimento do Estado.

Felizmente a atual presidente resolveu pensar mais alto, fazendo concessões via SPE (Sociedade de Propósito Específico), confiando aos investidores privados a recuperação dos aeroportos com participação de até 49% daquela estatal.

Com isso, retirou-se parte substancial do poder da Infraero, devido à insatisfação da presidente Dilma com o atraso nas obras programadas.

No encontro que Dilma manteve com os responsáveis pela melhoria dos aeroportos, esta afirmou: “É mais fácil abrir o capital da Infraero depois de ela tomar um choque de competitividade”.

Imaginem se esta proposta houvesse sido feita na administração de FHC. Qual não seria a sua repercussão? De pronto, Mercadante, Tarso Genro, Ciro Gomes e, quem sabe, Chico Buarque, estariam bradando contra a medida, desfraldando a surrada bandeira do estadismo e bramindo: “Nada de privatização, abaixo o neoliberalismo”…

No entanto, como Dilma Roussef, de quem são aliados, é mais arejada nos seus propósitos, a liderança petista não fará restrições à proposta da presidente, deixando de lado o dogma de fortalecimento do Estado que sempre defendeu.

O que mais surpreendeu na oportuna reunião convocada pela presidente Dilma foi a manifestação do ministro Orlando Silva. Segundo o titular do Ministério dos Esportes, “isso vai trazer capacidade operacional e tecnologia, além da agilidade em obras.”. É o caso de se indagar do motivo pelo qual Orlando Silva, já ministro de Lula, quando da escolha do Brasil, não defendera, desde logo, a privatização dos aeroportos.

Qual a razão de se cogitar, somente agora, de medidas que concorressem para a “agilidade em obras” após perdermos dois anos no planejamento dessas melhorias?

Segundo Dilma, o edital de licitação sairá até dezembro. Com isto, até lá continuaremos sofrendo, os efeitos das notórias deficiências aeroportuárias.

Se a gravidade do fato se arrasta há tanto tempo, era o caso de já se ter cogitado, pelo menos, de um esboço do aguardado edital, que só conheceremos na virada do ano.

Até lá, passageiros, nacionais e estrangeiros, desfrutarão em comum dos mesmos incômodos, sem saber quando receberão o presente de Natal que a Presidente lhes prometeu.

Queira Deus que estejamos equivocados e que esse prognóstico pessimista seja apenas transitório.

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