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31 / maio 2019

A POSSE DAS BOMBAS NUCLEARES E O RISCO DESSA PROVOCAÇÃO

Na concepção de Joaquim Nabuco, integrante de uma geração que incluía nomes da magnitude do Barão do Rio Branco (1845/1912) e Rui Barbosa (1849/1923), a guerra “leva-nos ao despovoamento, à miséria, à barbaria”. Assim, “gerações podem ser preparadas umas após outras para a guerra e ela ser sempre adiada, evitada pela própria enormidade dos preparos, pela instantaneidade da mobilização”.

Nesta mesma ordem de ideias, o genial baiano foi incisivo ao sustentar que “não se evita a guerra preparando a guerra. Não se obtém a paz senão preparando a paz”.

Os anos se passaram, estando a nossa política internacional confiada hoje ao chanceler Ernesto Araújo e ao seu apoiador, Eduardo Bolsonaro (atual presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara), ambos estimulados pelas ideias macabras de Olavo de Carvalho.

Em palestra pronunciada no curso superior de Defesa da Escola Superior de Guerra, Eduardo Bolsonaro enfatizou a necessidade de que o Brasil tenha a posse de armas nucleares, mediante esta justificativa: “Se tivéssemos um efetivo maior, um poder bélico maior, talvez fossemos levados mais a sério pelo Maduro, ou temidos, quem sabe, pela China ou pela Rússia”.

Não seria surpreendente o fato de que o parlamentar estivesse “confabulando uma guerra”, embora saiba que “não tem poderes para isso”, diante de suas manifestações externadas nos Estados Unidos e no Chile, estando identificado com o pensamento de Steve Barron, ex-assessor de Trump para questões internacionais, que já foi banido da Casa Branca.

Eduardo está permanentemente arraigado a uma organização de direita, criada para a América do Sul, em sintonia com a proposta de Ernesto Araújo, cuja ideologia é a mesma do “Jim Jones” da Virgínia. Não há de sua parte outra intenção senão a de estimular o confronto entre o governo Bolsonaro e seus auxiliares, por mais perniciosa que seja essa atuação.

Conforme o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), os países que explodiram a bomba atômica antes de 1º de janeiro de 1967 conservam o direito de possuir esse armamento (Estados Unidos, Reino Unido, China e França).

Algumas nações que não integram o TNP, apesar de negarem o exercício dessa atividade, a exemplo de Índia, Paquistão e Coreia do Norte, já vêm desenvolvendo pesquisas nessa área.

O TNT, que entrou em vigor desde 1970, beneficiou somente as nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial, que são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, detendo o poder de veto sobre as decisões daquele órgão.

Eduardo Bolsonaro, em sua arrojada proposta, mesmo reconhecendo que o tema não é de sua competência, e sim do Ministério da Defesa, chefiado pelo general Fernando Azevedo e Silva, preconizou o aumento de nosso poder bélico, como se esta iniciativa, por si só, pudesse gerar o respeito pelo Brasil no exterior.

Se não estivéssemos, presentemente, convivendo com uma pequena “família real”, bem ao estilo tupiniquim, tendo como componentes “personalidades deslumbradas com o poder”, conforme assinalou o historiador Marco Antônio Villa (“Estado de Minas”, 15/5/2019), não haveria espaço para propostas tão estapafúrdias como a de Eduardo Bolsonaro.

Sucede que a política atual do Ministério de Relações Exteriores é conduzida por uma mentalidade tacanha, respaldada nas manifestações do atual presidente, cujos filhos mimados merecem ser postos de “castigo”, antes que algo mais grave possa acontecer.

Falta ao presidente Bolsonaro assumir de vez a condição de supremo mandatário da Nação. E que isto ocorra o mais breve possível, antes que seja tarde.

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