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13 / out 2011

A POLÍTICA EXTERNA E SEUS RISCOS

Após o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma deslocou-se à Europa, onde deverá manter encontros com a cúpula da União Europeia, em Bruxelas.

Segundo consta do noticiário, a sua intenção consiste em saber quais são os planos das autoridades financeiras em relação à crise econômica que afeta o Velho Mundo. O receio é de que as recentes manifestações populares, com o passar dos dias, possam atingir o Brasil, afetando o seu processo de crescimento.

Ao que tudo indica, estamos sujeitos a uma queda de 7% do PIB, em 2010, para 3,5%, em 2011. Esse decréscimo está relacionado com a inflação que aturde as autoridades fazendárias, sem que se saiba da existência de medidas efetivas capazes de debelá-la.

Quando da chegada da presidente Dilma à Bélgica, foi anunciada a sua ida a Davos para o Fórum Econômico Mundial, que alguns consideram como sendo a meca do capitalismo, onde o Brasil esteve, em 2003, representado pelo ex-presidente Lula.

Em seus primeiros pronunciamentos, na Bélgica, Dilma Rousseff manifestou o interesse na ida de 100 mil estudantes brasileiros aos países europeus, para cursos de especialização no programa Ciência Sem Fronteiras, que será financiado pelo governo federal, contando com a ajuda da iniciativa privada. Em compensação, seria assegurada aos 27 países da União Européia igual oportunidade, através de contratos bilaterais, com a vinda de estudantes ao Brasil, que passariam a frequentar as nossas universidades.

Ao que se vê, há de parte da nossa presidente justificada preocupação com a crise econômica e social que se alastra por todos os cantos do Globo, impondo a adoção de providências capazes de conter os efeitos nocivos do descontentamento generalizado, preservando-nos dos riscos iminentes a que estávamos sujeitos durante o governo Lula.

A política externa brasileira não poderá prosseguir com as medidas demagógicas do passado, a exemplo do que ocorreu em Honduras, devendo voltar sua atenção para a presença militar no Haiti, que não deverá eternizar-se, uma vez que a situação daquele país do Caribe já não é a mesma de 2005.

Por igual, não se concebe que, após a eleição de Santos, na Colômbia, e de Humala, no Peru, e com o enfraquecimento de Piñera, no Chile, o Brasil continue adotando o mesmo tratamento dispensado anteriormente àqueles países.

Não menos preocupante é o que vem ocorrendo nos Estados Unidos, onde grassa um movimento que tende a assumir proporções imprevisíveis, que já importou na prisão de mais de setecentas pessoas, na semana passada, quando do bloqueio havido na passagem de veículos pela Ponte de Brooklyn.

A rebelião está sendo liderado por um jovem, Andrew, de 26 anos, que permaneceu oito horas detido, e, tão logo, recuperou a liberdade, anunciou que a insurgência vai tornar-se ainda maior, embora sem descambar para a violência.

Vale lembrar, ainda, que a reeleição de Cristina Kirchner, na Argentina, já é um fato praticamente consumado. Tudo faz crer que a viúva-candidata certamente haverá de reivindicar a nossa liderança para o país que preside.

Indispensável, pois, que a presidente Dilma, mesmo com as atenções voltadas para a Europa, no momento, se precavenha quanto à possibilidade da Argentina vir a substituir o Brasil na hegemonia continental.

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