twitter
facebook
linkedin
rss
19 / jan 2012

A PERSEGUIÇÃO DE KIRCHNER AOS SEUS OPOSITORES

A recondução de Cristina Kirchner à presidência da Argentina, a esta altura, já demonstrou aquilo de que ela é capaz, inobstante a estrondosa votação (54%) recebida no último pleito.

A invasão da sede da empresa Cablevisión do grupo Clarín pela Gendarmeria, ocorrida em dezembro passado, tendo como pretexto ordem judicial oriunda da província de Mendoza (onde o Clarín não exerce qualquer atividade), serviu para confirmar a índole da mandatária e da subserviência do Judiciário às determinações recebidas do Executivo.

O castigo obstinado atingiu também o jornal “La Nación”, de reconhecida projeção desde os tempos de Perón.Há muito, Cristina Kirchner vem cerceando a imprensa em seu país, tendo aberto tenaz perseguição aos veículos de comunicação que não se submetem aos seus caprichos. Com esse propósito, vale-se da condescendência de juízes até da Suprema Corte, para efeito das providências determinadas, arrostando a própria Constituição por cuja reforma está emprenhada para atender aos seus caprichos.

O seu último ato, conforme comunicado da Cablevisión, “se inscreve na sistemática campanha de perseguição que o governo nacional realiza contra as empresas do grupo Clarín”.

O aparelho utilizado para essas investidas, a Gendarmeria Nacional, é uma força estritamente vinculada ao Ministério da Segurança, que atua nas áreas internas, defesa nacional e apoio à política externa da Argentina.

Quanto a esta última, vale ressaltar a identidade existente entre os governos Kirchner e da Venezuela, que sempre trocaram elogios recíprocos no acossamento aos que não compartilham de seus métodos de ação.

É o que vem acontecendo em relação à imprensa e àqueles que defendem o império da lei, a exemplo do Colégio de Advogados de Buenos Aires e Caracas, que não se avassalam ante as agressões partidas do Executivo, opondo-lhe merecida resistência.

A Argentina é um país que a natureza favoreceu como a nenhum outro no continente americano. A despeito das riquezas com que conta, capaz de assegurar uma vida saudável ao seu povo, há muito padece de governos autocráticos, que procuram impor sua vontade pessoal à população, inobstante a sua tradição de país culto e civilizado, que já foi distinguido com Prêmio Nobel em duas oportunidades.

A reeleição de Cristina Kirchner foi fruto de uma atuação populista, que favoreceu diretamente as classes menos favorecidas, onde se concentra o maior número de eleitores.

Tal como sucedeu no Brasil, no governo Lula, o recebimento de uma bolsa-família e outros auxílios a quem carece de ajuda pessoal e familiar, torna irrelevante a maneira como que o país esteja sendo administrado, pouco importando se há corrupção ou não, pois esta não chega a afetar os favores com que o governo construiu e sustenta a sua imagem.

Daí não se poder aceitar como um fato normal, em respeito ao princípio da autodeterminação, o que ocorreu na Argentina. De outra forma, estaríamos estimulando, ainda que pela omissão, o que se passou em relação a um órgão da imprensa portenha, merecedora do respeito das nações que têm na democracia a condição indispensável à sua sobrevivência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × cinco =