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15 / abr 2019

A MITIFICAÇÃO DE PINOCHET

Quando da visita feita ao Chile por Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado recusaram o convite para comparecer a um jantar oferecido pelo presidente Sebastián Piñera ao mandatário brasileiro. A recusa deveu-se aos elogios que Bolsonaro fizera ao general Augusto Pinochet, contando com a adesão de seu filho Eduardo Bolsonaro.

Segundo o garoto (como é tratado pelo pai), as violações dos direitos humanos cometidos pela ditadura de Pinochet foram o preço que o Chile pagou para não correr o risco de converter-se numa Cuba castrista.

Os louvores feitos ao tirano desconsideraram os malefícios que o país andino suportou, a partir do golpe de setembro de 1973, com a execução sumária de centenas de líderes políticos e sindicais ligados ao presidente eleito, Salvador Allende. Esta matança impiedosa, com requintes de crueldade, teve lugar no estádio nacional que fora palco do campeonato mundial de Futebol em 1962.

A atuação de Pinochet foi exercida além das fronteiras, tendo por finalidade eliminar políticos chilenos que denunciassem no exterior a violação brutal dos direitos humanos, posta em prática pelos militares. Em Buenos Aires, foi explodido o veículo dirigido pelo general Carlos Prats, antecessor de Pinochet no comando do exército.

Em 1976, no centro de Washington, na avenida Massachusetts, o automóvel que conduzia Orlando Letelier foi mandado para os ares por agentes do órgão de repressão chileno, a famigerada Dina. A vítima fora embaixador do governo Allende nos Estados Unidos, desfrutando de grande prestígio em seu país.

Entre os perseguidos, figurou o ex-presidente Eduardo Frei, líder democrata cristão, opositor de Allende, que se tornou adversário de Pinochet. Tratava-se de um jurista que foi envenenado durante uma cirurgia por médicos filiados ao novo regime, decorridos quase dez anos após o golpe de setembro de 1973.

Ao contrário do que Eduardo Bolsonaro sustentou, a política de Pinochet não visava implantar rumos que assegurassem maior prosperidade ao país, filiada à escola de Chicago, que teve em Milton Friedman, defensor do equilíbrio monetário e fiscal, o seu corifeu e que conta hoje com inúmeros seguidores em Brasília.

O colunista Sérgio Fausto (“O Estado de S. Paulo”, 31/3/19), referindo-se à aprovação que os Bolsonaro conferem à tirania de Pinochet, em desacordo com a opinião pública mundial, enfatizou: “Ao se recusarem a comparecer ao jantar com Bolsonaro, os presidentes do Senado e da Câmara honraram as melhores tradições democráticas do Chile, um país que se libertou da ditadura pinochetista e elucidou a verdade de seus crimes, sem revanchismo, mas com coragem”.

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