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20 / abr 2018

A MESMA VERSÃO

A iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de intimidar a ministra Cármen Lúcia, atirando tinta vermelha no apartamento que ela mantém nesta capital, foi justificada pelo seu coordenador Silvio Netto ao considerar que a presidente do STF “… se tornou a inimiga número um dos mineiros”.

Assim, a ação promovida por 450 sem-terra teve como pretexto o voto de desempate proferido por Cármen Lúcia no julgamento do HC do ex-presidente Lula. A dirigente do MST, Miriam Muniz, antecipou afirmando: “não vamos dar descanso para toda essa corja que deturpa as leis para beneficiar interesses do capital. Assistimos essa semana que o Supremo é tão golpista quanto Temer”.

Em face desses esclarecimentos feitos à mídia que cobriu o episódio, restou patente que a insatisfação do MST não foi somente em relação à Cármen Lúcia, mas, por igual, contra os demais ministros, ou seja, contra a “corja” que votou rejeitando a medida posta em julgamento.

No sábado (7), quando ainda se encontrava no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, após vencido o prazo que o juiz Sérgio Moro lhe concedera, Lula teceu acerbas críticas ao Judiciário, embora tomado da cautela de não incluir o STF e o STJ no rol dos destinatários de sua verbosidade.

Segundo ele, a coação que vem sofrendo decorre do temor do juiz Moro em decidir contra a opinião pública e a imprensa, favoráveis à sua prisão: “quem quiser votar com base na opinião pública, que largue a toga e vá ser candidato a deputado, escolha o partido político”.

Nesse mesmo diapasão, acusou os órgãos de divulgação como sendo responsáveis pela “antecipação da morte de Marisa”, o que decorreu da “sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela”.

Como se vê, o censurável acontecimento passado em Belo Horizonte, na sexta-feira (6), esteve em sintonia com o que Lula afirmara no sábado (7) perante a turba alvoroçada. O MST legitimou o seu procedimento com os mesmos motivos que Lula reputou infundada a condenação recebida.

A irresponsabilidade dos baderneiros, empenhados em constranger a ministra Cármen Lúcia, foi a mesma que levou o apenado a externar a sua fúria contra os julgadores, jornalistas e procuradores, que atuam na Operação Lava Jato.

Donde se concluir que os desordeiros se adiantaram ao que, no dia seguinte, foi apregoado por Lula em Curitiba, insistindo no mote de que fora condenado por crime político.