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20 / mar 2020

A LOROTA CONSAGRADA

Com o visível propósito de angariar maior prestígio junto aos seus asseclas, Jair Bolsonaro escandalizou o País, indiferente à doença que infesta a humanidade. Em sua aparição na Praça dos Três Poderes, arrebatou selfies, empunhou celulares, cumprimentou sectários, estimulando os que acorreram àquele local na ovação de que foi alvo.

Nessa arrojada diligência teve o apoio do contra-almirante e diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, que filmou a participação do presidente naquele episódio burlesco. Mais uma vez, empenhou-se em demonstrar que o coronavírus não passava de uma criação midiática. Assim, era conveniente desafiá-lo publicamente, tomado do mesmo ardor com que enfrenta seus contendores políticos.

As medidas recomendadas pelos infectologistas e, especialmente, pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não passavam de uma ficção. Para fazer jus à alcunha de “mito”, que o acompanha desde a sua posse, era necessário mostrar que continuava identificado com aqueles que, através do voto, o levaram ao Palácio do Planalto. Daí não correr o risco de contaminação ao apertar as mãos daqueles que o aplaudiam e que viam nele o “Salvador da Pátria”, e não o populista barato que desafiava as autoridades sanitárias.

A sua desmedida vaidade em ser reconduzido ao poder, em 2022, fez com que se prestasse àquele espetáculo caricato, imune ao contágio a que ficara exposto.

Ao picaresco mandatário era de somenos importância a mudança de comportamento de seu ídolo Donald Trump, que, nas últimas semanas, recalculou seu itinerário político, adotando medidas de contenção ao coronavírus, ao reconhecer que a sua reeleição estaria em xeque, caso persistisse na linha de comportamento que vinha defendendo.

Por igual, nada representavam os temores de Boris Johnson e de Emmanuel Macron em relação à crise que atingiu o Reino Unido e a França, reputando a atual conjuntura como “a mais grave de uma geração”.

O seu menoscabo ao coronavírus implica num desapreço a todos aqueles cientistas e políticos que se empenham no combate a esta peste, no esforço permanente de encontrar uma vacina capaz de dizimar a calamidade que se alastrou por todos os continentes.

A cada pronunciamento que emite, o presidente revela que não reunia predicados para ascender à Presidência da República, fosse pelo despreparo intelectual, fosse pelo arrebatamento que marca as suas reiteradas manifestações. A única maneira que encontra para debelar a sua incapacidade é afirmar que está sendo vítima de um complô capaz de aniquilar o seu governo, de frustrar o esforço do ministro Paulo Guedes em salvar o Brasil da peneira em que se debate.

Os recentes sinais de intolerância externados nos “panelaços”, que eclodiram após sua demagógica apresentação em Brasília, serviram para evidenciar que o decantado prestígio do “capitão” junto à classe média tende a abrandar.

Só lhe restará, em breve, uma minoria radical, afeiçoada aos seus lemas de campanha eleitoral, que, com o passar dos dias, reconhecerá o engodo a que foi levada. 

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