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02 / ago 2017

A EXPECTATIVA ACALENTADA

A soberania do Reino Unido sobre a cidade de Hong Kong deixou de existir após 156 anos de colonialismo. Tratava-se da volta daquele importante porto ao controle da China.

O acontecimento teve repercussão mundial, contando com a presença do príncipe Charles, apresentações musicais, desfiles militares e outras promoções destinadas a desanuviar o ambiente melancólico criado pela saída dos ingleses.

De parte da população local havia natural expectativa quanto às transformações futuras, antevendo o descompasso que poderia existir com o término de um governo liberal e as restrições que viessem a ser impostas pelo que o sucedeu.

Naquela oportunidade, o ex-presidente Jiang Zemin sustentou que a soberania chinesa continuaria existindo em Hong Kong, sem prejuízo das liberdades democráticas herdadas da gestão britânica.

A despeito da promessa feita, o mandatário ressaltou que Hong Kong não se transformaria em “base de subversão”, concorrendo para o aniquilamento do regime comunista naquela região da Ásia.

Passadas duas décadas da devolução de Hong Kong à China, o movimento dos Guarda-chuvas, que tomou as ruas da cidade em 2014, volta a cobrar eleições livres. O seu líder, Joshua Wong, de 20 anos, que comandou 30 mil jovens em protesto, foi detido pela polícia, embora liberado 32 horas mais tarde. Isto ocorreu às vésperas da visita do presidente Xi Jinping, que, pela primeira vez, ali esteve, conhecendo uma cidade moderna, com uma economia que representa quase um quinto da chinesa.

Embora as manifestações públicas ainda sejam permitidas, sendo possível acessar o Google e o Facebook, o grau de liberdade da população vem sendo reduzido desde que Xi Jinping assumiu o poder em 2013.

Não se concretizou, até agora, a sua promessa de que seriam realizadas eleições para a chefia do governo de Hong Kong no corrente ano. Pequim condicionou a realização do pleito a uma aprovação prévia do governo chinês.

Ao reprimir as insurreições dos jovens, Xi Jinping pretende evitar que o mesmo suceda nas regiões autônomas do Tibete, com sua maioria budista, e Xinjiang, com prevalência muçulmana. Desde a sua posse, manifestou interesse em reforçar a disciplina interna, de modo a impedir o enfraquecimento do controle estatal.

Em 2009, Liu Xiaobo, um dos articuladores dos protestos que culminaram no massacre da Paz Celestial, em Pequim, recebeu o Nobel da Paz. Mas, somente em junho passado foi libertado para tratar de um câncer avançado no fígado.

A esta altura, paira dúvida em relação ao futuro de Hong Kong, estando os seus habitantes pessimistas ante os protestos realizados que não produziram o resultado esperado, sem que se possam valer-se de outros recursos que lhes assegure a convivência num regime menos restritivo.